Disputa na Pirelli: Briga entre chineses e italianos explode nos bastidores e ameaça operações nos EUA

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O clima esquentou nos bastidores da Pirelli após o fracasso de uma tentativa chinesa de apaziguar tensões regulatórias com os Estados Unidos.

Sem citar diretamente o impasse, uma proposta da estatal chinesa Sinochem previa isolar as atividades da empresa italiana em solo americano, como forma de atender às exigências de segurança dos EUA.

A manobra visava especialmente proteger informações estratégicas ligadas aos sensores Cyber Tyre, tecnologia sensível que preocupa autoridades norte-americanas pela possível conexão com interesses do governo chinês.

A ideia seria criar uma estrutura separada para as operações nos EUA, com limitações nos direitos de voto e participação da Sinochem em decisões locais.

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O plano foi apresentado discretamente no início da semana, mas não tardou a ser rejeitado com veemência pela Camfin, holding ligada ao executivo Marco Tronchetti Provera, que possui pouco mais de 25% da Pirelli.

Para a Camfin, a proposta chinesa compromete o modelo de negócios da empresa e não resolve as exigências legais impostas pelos EUA sobre veículos conectados.

Segundo comunicado da companhia italiana, aceitar o plano da Sinochem significaria travar o desenvolvimento tecnológico da Pirelli e abrir mão de sua autonomia estratégica.

A crise atual é resultado de meses de tensões, que culminaram com a entrada do governo italiano nas discussões após alertas de Washington sobre tecnologias ligadas à China .

A Sinochem, maior acionista da Pirelli com cerca de 34% de participação, afirma que sua proposta segue padrões internacionais e práticas corporativas aceitas no Ocidente.

O grupo chinês também se diz aberto ao diálogo e insiste em uma análise neutra baseada em fatos e não em percepções políticas.

Mas os sinais de uma possível reconciliação diminuíram drasticamente na última semana, quando a Camfin anunciou que não pretende renovar o acordo de acionistas com a Sinochem.

Esse pacto, válido até maio, foi firmado em 2023 com mediação do governo italiano, num esforço para manter a estabilidade da empresa.

O cenário ficou ainda mais delicado desde que a Pirelli declarou oficialmente o fim do controle chinês sobre a empresa, uma decisão baseada nas regras de “poder dourado” que Roma utiliza para limitar influências estrangeiras em setores estratégicos.

A Sinochem contesta essa decisão, alegando que ainda detém o controle acionário majoritário da companhia.

O futuro do negócio é incerto, sobretudo porque os Estados Unidos representam mais de 20% do faturamento global da Pirelli.

Executivos alertam que, sem uma solução clara de governança, o acesso ao mercado americano pode ser comprometido pelas crescentes restrições contra tecnologias com laços chineses.

Enquanto isso, o impasse entre Itália e China segue sem sinal de trégua, com a Pirelli no centro de uma disputa geopolítica cada vez mais acirrada.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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