Do sonho ao desespero em 4 meses: funcionários se revoltam com a Ford depois de largarem tudo por uma fábrica de EVs que virou pó

ford fabrica ev kentucky
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A história recente da transição para carros elétricos nos Estados Unidos ganhou um símbolo amargo em Kentucky, onde uma fábrica de baterias virou caso político e drama social.

A joint venture bilionária entre a Ford e a sul-coreana SK On foi desfeita de forma abrupta em dezembro, apenas quatro meses depois de as primeiras baterias começarem a sair da linha.

O fechamento da operação conjunta deixou 1.600 pessoas sem emprego e pegou trabalhadores e moradores locais completamente de surpresa, alimentando um sentimento generalizado de traição.

Na cidade, muitos colocam a culpa diretamente na Ford , o que não surpreende, mas o pano de fundo político ligado às regras para EVs pesa tanto quanto a decisão empresarial.

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Todas as marcas que vendem elétricos nos EUA foram afetadas quando o governo decidiu acabar com o crédito fiscal de até R$ 39.150 para a compra de modelos novos.

Criticado por alguns como um subsídio artificial ao setor, o benefício tinha papel decisivo para convencer muitos consumidores a dar o salto para um EV.

Com menos gente comprando carros elétricos e normas de consumo de combustível mais flexíveis, a Ford admitiu publicamente que “a realidade operacional mudou” e redesenhou seus planos.

A montadora argumenta que está ouvindo o cliente e avaliando o mercado como ele é hoje, e não como todos imaginavam que seria cinco anos atrás.

O governador democrata de Kentucky, Andy Beshear, foi direto ao responsabilizar Donald Trump pela situação, citando o pacote que eliminou os créditos e esfriou o interesse por EVs.

Ele afirmou que 1.600 moradores perderam o emprego “exclusivamente” por causa dessa mudança, e sugeriu que muitos deles votaram em Trump e, na prática, foram “demitidos” por ele.

Na linha de frente do impacto está Joe Morgan, que deixou um trabalho de 24 anos para apostar na fábrica de baterias, confiante no crescimento dos elétricos.

Republicano registrado, ele reconhece que o fim dos créditos ajudou a derrubar as vendas, mas acredita que a Ford errou ao insistir em uma F-150 totalmente elétrica.

Outro funcionário, Derek Doughtery, viu no emprego na planta um ponto de virada depois de passar por situação de rua, justamente quando esperava o segundo filho.

Para ele, a montadora superestimou o apetite do mercado e carrega mais responsabilidade pelo desfecho do que o governo, mesmo com as mudanças de política.

Doughtery resume a frustração dizendo que, qualquer que fosse a regra em Washington, a decisão final de encerrar o projeto partiu da empresa.

Apesar do corte duro, o local não será abandonado: agora sob controle integral da Ford, o complexo será adaptado para produzir sistemas de armazenamento de energia.

A previsão é empregar cerca de 2.100 pessoas nessa nova fase, bem abaixo das 5.000 vagas originalmente anunciadas quando o foco eram baterias para EVs.

O caso de Kentucky expõe como apostas industriais aceleradas, combinadas com oscilações políticas e de demanda, podem transformar promessas de futuro em incerteza em questão de meses.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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