Dodge Challenger: antigo e novo, história, motores

O Dodge Challenger é um dos últimos muscle cars ainda em produção nos EUA. O cupê esportivo é um dos carros V8 mais emblemáticos do mercado americano, com história que remonta ao início dos anos 70.


No mercado americano, o Dodge Challenger é oferecido nas versões SXT, GT, R/T, R/T Scat Pack, R/T Scat Pack Widebody, SRT Hellcat, SRT Hellcat Widebody, SRT Hellcat Redeye, SRT Hellcat Redeye Widebody e Super Stock SRT.

O bólido tem motores V6 e V8, sendo o Pentastar 3.6 o primeiro, entregando 307 cavalos, com transmissão automática de oito marchas e tração traseira, mas sendo a única com opção AWD, algo inexistente com motores HEMI.

Já o V8 é composto por três motores diferentes, sendo os HEMI 5.7 e 6.4 nas versões intermediárias e topo de linha, entregando 380 e 492 cavalos, respectivamente. Estes motores são oferecidos com transmissão manual de seis marchas.

Acima dele, há o Hellcat 6.2 com Supercharger  tem 727 cavalos, sendo considerado um dos carros mais potentes existentes no mercado americano em produção seriada. Essa usina de energia também tem opção de câmbio automático de oito marchas.

Dodge Challenger – detalhes

O Challenger SRT Super Stock usa o propulsor V8 Demon de 808 cavalos, sendo a versão mais potente do modelo e o único com esse motor para uso regular, além de produção seriada.

Fora as versões comuns vendidas regularmente aos clientes, o Dodge Challenger tem ainda a versão Demon, que assim como o Chevrolet Camaro COPO, é dedicada a arrancadas e tem mais de 800 cavalos, porém, é adquirido somente sob encomenda.

Nos EUA, a Dodge oferece ainda uma gama enorme de acessórios e kits de preparação da Mopar, que deixa o Challenger com melhor performance ou visual diferenciado, movimentando assim uma receita adicional para a Stellantis.

Oficialmente, o Dodge Challenger nunca foi vendido no Brasil, ainda que tenha sido cogitada sua chegada e até exibida uma versão do Hellcat no penúltimo Salão do Automóvel.

Não existem planos para vendê-lo no mercado nacional e 2024 será o ano do sucessor do produto.

O Dodge Challenger é um muscle car da classe dos pony cars, que eram os menores dos anos 60 e 70 com motores V8. Com frente retangular, o cupê tem faróis duplos circulares e uma grade dupla, com dois segmentos destacados.

O capô tem duas entradas de ar discretas no SXT, uma única maior nas versões intermediárias e com duas grandes bocas a partir do Hellcat. Há também o coletor externo “Shaker”, que é fixo no motor.

Com exceção do SXT, todas as versões têm spoiler frontal, com linhas laterais suaves e sem grandes vincos.

Nas versões Widebody, há saias de rodas abauladas por causa de rodas e bitolas maiores. Na traseira, as lanternas são retangulares e envolventes, enquanto o escape duplo é presença garantida. Por dentro, o painel tem linhas arredondadas, que contrastam com o exterior.

O cluster é analógico com display central de 7 polegadas, enquanto a multimídia tem tela de 8,4 polegadas e instrumentação auxiliar. O Challenger Hellcat tem detalhes exclusivos e até duas chaves, uma com limitação de performance.

No ambiente do Challenger, os passageiros contam ainda com bancos esportivos envolventes e personalizados, dependendo da versão. Já o porta-malas tem 459 litros.

Dodge Challenger – preços e versões

O Dodge Challenger é oferecido nas versões SXT, GT, R/T, R/T Scat Pack, R/T Scat Pack Widebody, SRT Hellcat, SRT Hellcat Widebody, SRT Hellcat Redeye, SRT Hellcat Redeye Widebody e SRT Super Stock.

Essa gama de versões é dividida entre a linha de acesso, composta para versões SXT e GT, com a linha intermediária. Neste caso, as versões R/T, R/T Scat Pack e R/T Scat Pack Widebody.

Já a topo de linha é a SRT, composta pelas opções SRT Hellcat, SRT Hellcat Widebody, SRT Hellcat Redeye, SRT Hellcat Redeye Widebody e SRT Super Stock.

A diferença entre elas basicamente é que as duas primeiras são manuais e as demais são automáticas (Redeye e Super Stock).

A Widebody e a Super Stock possuem bitolas mais largas, com saias de rodas abauladas e pneus muito largos.

Nos EUA, o Dodge Challenger tem preços entre US$ 29.065 e US$ 82.465, abrangendo assim desde a faixa de carros populares mais baratos, abaixo dos US$ 30.000 até a gama de luxo, onde os preços começam acima dos US$ 75.000.

Equipamentos

O Dodge Challenger vem com itens como rodas esportivas aros 18 a 20 polegadas, pneus largos de alta performance, faróis e lanternas em LED, escape com duas saídas, vidros e retrovisores elétricos, travamento central elétrico e alarme.

Tem ainda ar ar condicionado dual zone, cluster análogo-digital, multimídia com tela de 8,4 polegadas, Android Auto e CarPlay, duas chaves presenciais, bancos esportivos em tecido ou couro, bancos dianteiros com ajustes elétricos e aquecimento, além de retrovisor eletrocrômico.

Pedais esportivos, volante em couro multifuncional com paddle shifts, freio de estacionamento por pedal, teto e colunas escurecidas, câmera de ré, controle de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, modos de condução e discos ventilados, também fazem parte das opções.

Sistemas mais sofisticados como frenagem automática de emergência com detector de pedestres, múltiplos airbags, alerta de faixa e correção, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de tráfego traseiro, entre outros, estão nas opções do Challenger.

Dodge Challenger – motores

O Dodge Challenger tem basicamente quatro motores com cinco versões, sendo eles Pentastar 3.6, HEMI 5.7, HEMI 6.4, Hellcat 6.2 e Demon 6.2. O primeiro é um V6 feito de alumínio com cabeçote de duplo comando de válvulas variável.

Além disso, com 24 válvulas, o Pentastar 3.6 tem comandos acionados por corrente e dispõe de indução forçada para aumentar a compressão na combustão, assim como injeção direta de combustível e desativação de cilindros.

O Pentastar usa tanto gasolina de baixa octanagem (87) até E85 (etanol com 15% de gasolina), sendo um propulsor de 3.604 cm³ e com entrega de 307 cavalos a 6.350 rpm, bem como 37 kgfm a 4.175 rpm.

Já o HEMI 5.7 é um V8 com desligamento de cilindro, injeção multiponto de combustível e duas velas de ignição por cilindro, tendo 5.654 cm³ e comandos variáveis no bloco de ferro fundido, já que os comandos são acionados por varetas (OHV).

O HEMI é conhecido por suas câmaras de combustão hemisféricas e no V8 5.7 tem 380 cavalos com 56,5 kgfm. Já o HEMI 6.4 tem 6.407 cm³, sendo conhecido como “Apache” e tem como diferencial para o 5.7, os pistões de liga de alumínio.

Usando as mesmas tecnologias do HEMI 5.7, o HEMI 6.4 entrega no Challenger, 492 cavalos e 65,4 kgfm. Trata-se do maior motor usado no carro da Dodge atualmente, não tendo variações para o cupê esportivo.

Por fim, o Hellcat é um motor diferente com 6.2 litros, contendo exatamente 6.166 cm³ com um compressor volumétrico IHI de 2.380 cm³, tendo intercooler incorporado. Ele é um HEMI modificado e preparado para alto rendimento.

Também com bloco de ferro fundido e cabeçotes de alumínio OHV, tendo injeção de combustível adaptado para esse fim, o Hellcat é uma usina de força com 727 cavalos e 89,5 kgfm.

Por fim, uma variante V8 para o Challenger SRT Super Stock, sendo esse o V8 Demon, uma evolução do Hellcat que entrega 808 cavalos e 97,4 kgfm. Não é a opção mais potente, já que o Demon de arrancada tem 852 cavalos e 117,6 kgfm.

O Dodge Challenger tem transmissão manual de seis marchas, além da transmissão automática TorqueFlite de oito velocidades com mudanças manuais na alavanca e no volante (paddle shifts).

Nas versões SXT e GT, o Challenger tem tração nas nas quatro rodas com diferencial central e dianteiro, sendo um sistema que apenas existe com motor Pentastar 3.6 com câmbio automático.

O sistema de tração é o mesmo empregado no Dodge Charger e outros modelos monobloco da Chrysler (Stellantis).

Desempenho e consumo

O Dodge Challenger V6 tem consumo médio de 8 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada. Já o Challenger V8 5.7 faz 6,4/9,8 km/l, respectivamente. Com o V8 6.4, o consumo urbano é menor que o 5.7: 5,9 km/l. O rodoviário era mesmo.

Já o Hellcat faz 5,5 km/l na cidade e 8,9 kml na rodovia. Ainda que seja mais potente, o SRT Super Stock tem o mesmo consumo do Hellcat.

Na aceleração, o SXT precisa de 6,3 segundos e com final de 244 km/h. No caso do Challenger V8 5.7, ele precisa de 5,1 segundos, enquanto o Scat Pack, com o V8 6.4, o bólido precisa de 4,1 segundos. Por fim, o Hellcat faz o mesmo em 3,6 segundos e tem final de 320 km/h.

Já o Challenger SRT Super Stock faz o mesmo em 3,1 segundos e a final é de 265 km/h, limitados pelos pneus.

Dodge Challenger – história

Um dos musculosos que chegaram a usar grandes motores V8, o Dodge Challenger sempre enalteceu a força dos propulsores de oito cilindros com aspiração natural e grande força, entregando sua energia nas rodas traseiras.

Com câmbio manual ou automático, o pony car da Dodge é um produto muito popular e cujo fãs são bem fiéis, inclusive se espera por protestos quando a marca americana convertê-lo em um carro híbrido plug-in ou elétrico.

Mantendo as linhas clássicas do modelo dos anos 70, o Dodge Challenger atual é o mesmo de 2008, mas ainda um carro retrô que o americano aprecia e mantém muitas características de uma época inesquecível, onde o purismo era algo do cotidiano.

Apesar da aparência, com formas retilíneas e sólidas, área envidraçada reduzida e interior vintage, o Challenger é um carro moderno, tendo entre outras coisas, suspensão traseira multilink.

Isso é algo que o Ford Mustang da geração anterior ainda evitava, por exemplo.

Seus motores possuem injeção direta de combustível e desligamento automático de cilindros, usando inclusive Supercharger e transmissão de oito marchas.

Com tração traseira nativa, o muscle car tem também versão com tração nas quatro rodas, além de opções de motores e duas de transmissão.

Nascido em 2008, o Challenger atual é feito em Brampton, Ontário, Canadá. Ele surgiu com os modelos Charger e Magnum (perua), além do Chrysler 300. Sua plataforma LH usa componentes que eram da Mercedes-Benz, como a supensão multilink.

Inicialmente o Challenger tinha motor V6 3.5 de 250 cavalos e V8 Hemi 6.1 de 425 cavalos, ambos com câmbio automático de cinco marchas da Daimler.

Teve as opções manuais, ganhando a seguir um V8 Hemi 5.7 de 375 cavalos, mas a sensação foi o SRT8 de 2011, com o V8 Hemi 6.4 de 480 cavalos. Em 2015, isso subiu para 492 cavalos e o modelo estabilizou aí.

Nessa mesma época, ganhou o câmbio automático ZF de 8 marchas, mas a consagração veio com a versão Hellcat, com insanos 717 cavalos. As revendas descobriram que o modelo 2016 tinha até 750 cavalos na roda…

No ano de 2018, o Challenger Demon surgiu para arrancadas com 818 cavalos ou até 852 cavalos coim gasolina especial. Com pneus finos na frente, literalmente saía do chão, causando frisson nas arrancadas.

Em 2020, o Super Stock veio para ser um Hellcat com motor do Demon, ficando entre as duas opções e listado para compra comum.

Primeira geração – muscle

O Dodge Challenger como tal, surgiu em 1970 como irmão maior do Plymouth Barracuda. Com linhas muito semelhantes às atuais, ele também tinha quatro faróis circulares e uma grade com moldura envolvente.  As colunas C largas chamavam atenção.

Na traseira, as grandes lanternas retangulares eram separadas pela lente branca da ré com nome Dodge fixado. Tinha carrocerias cupê, hard top e conversível.

As opções de motor começavam pelo Slant-Six 3.2 e 3.7, passando para os V8 318 (5.20 e o popular 340 (5.6).

Houve ainda o V8 360 (5.9), V8 383 (6.3) e o Hemi 426 (7.0). O maior motor, embora não o mais potente, era o 440 Magnum, que tinha 7.2 litros.

Naquela época, o Hemi 426 tinha até 431 cavalos ante os 390 cavalos do Magnum 440.

Recebeu algumas atualizações de estilo ao longo dos anos 70, mas ele começou a perder sua essência a partir de 1973, com uma frente bem acanhada e sem exporessividade alguma. Isso antecipou o fim do modelo clássico em cinco anos.

Segunda geração – japonês

Tal como Camaro e Mustang, o Dodge Challenger sofreu para entrar na década de 80, onde os carros perderam os músculos da década anterior e ficaram parecendo modelos comuns, que qualquer pai de família compraria por engano…

No caso do Challenger, foi ainda pior. Sem identidade, perdeu a cidadania americana e foi exilado no Japão, onde virou um derivado do Mitsubishi Galant Lambda. Com estilo oriental, o Dodge (e o Plymouth Sapporo) era quase uma piada de mau gosto.

Seu motor 1.6 tinha somente 77 cavalos e o 2.6 litros não passava de 105 cavalos. Em carrocerias cupê e hardtop, em nada lembrava o pony car com teto de vinil e faixas decorativas instigantes de poucos anos antes. Foi fabricado de 1978 até 1983.

Dodge Challenger – fotos

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