
Um novo processo judicial está lançando luz sobre uma prática polêmica envolvendo montadoras, seguradoras e dados de motoristas.
Toyota, a seguradora Progressive e uma empresa de análise de dados estão sendo acusadas de coletar informações detalhadas sobre o comportamento ao volante sem consentimento claro dos motoristas.
A denúncia vai muito além de nome e endereço: o processo afirma que localização por GPS, hábitos de direção e dados comportamentais foram reunidos sem aviso e repassados à seguradora.
O motorista em questão é Philip Siefke, morador de Eagle Lake, na Flórida, Estados Unidos.
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Ele relata que só descobriu o rastreamento após comprar um Toyota RAV4 2021 e procurar um seguro, quando percebeu que a Progressive já possuía um perfil detalhado de sua condução.

Esse perfil incluía, por exemplo, um registro de frenagem brusca ocorrido no dia anterior à cotação do seguro.
Segundo o advogado John Yanchunis, do escritório Morgan & Morgan, o verdadeiro problema é que o consumidor sequer sabe que está sendo monitorado.
“Não há como o carro saber quem está dirigindo naquele momento”, argumenta o advogado, destacando que a coleta de dados ocorre sem uma ligação direta entre condutor e veículo.
Apesar disso, o próprio Siefke confirmou, sem perceber as implicações, permissões de rastreamento ao clicar em “Aceitar” em março de 2021 e novamente em março de 2024.
Essa ação, aparentemente inofensiva, permitiu que a Toyota coletasse dados e os compartilhasse com terceiros.
Por causa dessas confirmações, a Justiça determinou que o caso seja tratado por arbitragem, impedindo uma ação judicial direta contra a montadora.
Mesmo assim, Siefke segue buscando meios legais para responsabilizar as empresas envolvidas.
Esse não é um caso isolado: a General Motors também foi alvo de processos similares após parceria com a corretora de dados LexisNexis.
Na época, donos de veículos relataram aumentos repentinos no seguro com base em dados obtidos sem seu conhecimento.
A repercussão levou a Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA a proibir, nesta semana, que a GM e sua divisão OnStar comercializem dados de localização e comportamento de direção por cinco anos.
A decisão ocorreu após constatação de que milhões de motoristas foram monitorados sem consentimento claro, por meio de um processo considerado “enganoso” de adesão aos serviços da marca.
O caso reacende o debate sobre o uso das tecnologias de telemetria automotiva.
Embora prometam benefícios, como seguros personalizados e melhorias de segurança, essas ferramentas vêm sendo usadas como fonte de lucro à custa da privacidade dos motoristas.
Especialistas afirmam que a única forma de reverter esse cenário seria a criação de regras rigorosas sobre consentimento, transparência e controle de dados.
Isso incluiria a obrigação de informar com clareza o que está sendo coletado, com quem será compartilhado e permitir que o motorista recuse o rastreamento sem prejuízo.
Caso contrário, a única forma real de escapar dessa vigilância digital seria optar por carros sem conexão ativa — uma escolha cada vez mais difícil no mercado atual.
Em meio a tudo isso, fica a pergunta: estamos comprando um carro ou uma máquina de coleta de dados disfarçada?
No fim das contas, o aumento no seguro relatado por Siefke não é só um problema financeiro — que, convertido, representa um impacto de milhares de reais — mas também um alerta sobre o preço da conectividade automotiva.
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