
Num momento em que a guerra comercial de Washington parecia perder força nos tribunais, a indústria automotiva americana conseguiu garantir um escudo de última hora contra novos custos bilionários.
Depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar a maior parte das tarifas globais anteriores, Donald Trump reagiu decretando uma alíquota única de 10 por cento sobre produtos estrangeiros, que depois subiu para 15%.
A nova tarifa, prevista para começar a valer já na terça-feira seguinte ao anúncio, imediatamente acendeu o alerta em todos os setores dependentes de importações, especialmente na indústria.
Mas, em um detalhado comunicado da Casa Branca, veio o alívio para Detroit: veículos de passeio, determinadas picapes e vários tipos de autopeças ficaram de fora da cobrança.
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Nos bastidores, o American Automotive Policy Council, que representa GM, Ford e a dona da Jeep, Stellantis, enviou naquele mesmo dia uma carta ao time de comércio de Trump.
O grupo defendia a manutenção de um arranjo criado anteriormente para evitar que o mesmo carro ou componente fosse atingido por múltiplas tarifas sobre uma única cadeia de produção.
Montadoras já vinham reclamando de bilhões de dólares em custos adicionais por causa de tarifas anteriores, especialmente as incidindo sobre veículos, peças importadas e matérias-primas estratégicas.
Parte dessas taxas, incluindo sobretaxas sobre aço e alumínio, foi implementada com base em uma lei que permite agir em nome da segurança nacional, mecanismo que segue intocado pela decisão da Suprema Corte.
Assim, mesmo com a derrubada dos chamados “global duties” mais amplos, o coração do arsenal tarifário de Trump sobre insumos automotivos continuou valendo normalmente.
Ainda em abril do ano anterior, o presidente havia assinado duas diretivas que já tentavam aliviar parte da pressão específica sobre o setor automotivo, prevenindo a incidência repetida de tarifas sobre o mesmo bem.
A nova rodada de medidas, agora com a alíquota de 10 por cento, reavivou o temor de que esse equilíbrio fosse rompido, empurrando fabricantes de carros para uma espiral de custos.
A exclusão de veículos de passeio, algumas picapes e determinadas autopeças da tarifa global foi, portanto, recebida como uma vitória tática para GM, Ford e Stellantis.
Mesmo com a exceção, as empresas permanecem expostas a uma combinação complexa de impostos sobre componentes importados, aço e alumínio, que afeta diretamente o custo final de produção.
Analistas avaliam que a decisão mostra a dificuldade da Casa Branca em conciliar discurso duro contra importações com a necessidade de preservar a competitividade das montadoras nacionais.
Ao blindar parcialmente o setor automotivo, Trump tenta manter uma de suas bases industriais mais importantes enquanto exibe mão pesada contra outros produtos estrangeiros.
Para Detroit, o recado é claro: a proteção não é absoluta nem permanente, mas, por ora, a indústria conseguiu escapar de mais uma pancada tarifária que poderia comprometer investimentos futuros.
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