
A tradicional Lotus vive talvez o momento mais crítico de sua história, ao anunciar o corte de 550 postos de trabalho em sua sede de Hethel, no interior da Inglaterra.
Embora qualquer demissão em massa seja preocupante, a gravidade fica ainda mais evidente quando se sabe que a unidade emprega apenas 1.300 pessoas.
A empresa, que há décadas tenta se reinventar e sobreviver no mercado, agora parece entrar numa espiral de crise ainda mais profunda.
Há meses, a fabricante negava rumores de que estaria prestes a encerrar sua produção no Reino Unido para transferi-la aos Estados Unidos.
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No entanto, após uma revisão estratégica, a direção admitiu que mudanças seriam necessárias para adaptar a marca às novas pressões do setor automotivo global.

Tarifas internacionais, volatilidade econômica e a transformação do mercado de carros esportivos e elétricos pesam sobre os ombros da empresa.
Em nota à BBC, a Lotus afirmou que as demissões são “necessárias para garantir um futuro sustentável diante das rápidas mudanças nas políticas globais” e revelou que está avaliando seriamente parcerias para terceirizar sua produção — o que, na prática, pode significar o fim da identidade de fabricante britânica da marca.
Não é a primeira vez neste ano que a empresa recorre a cortes de pessoal.
Em fevereiro, outros 270 funcionários já haviam sido dispensados após o fraco desempenho do cupê esportivo Emira, modelo que deveria ser o “renascimento” da marca, mas acabou encalhado por falta de demanda.
Nos Estados Unidos, a situação da Lotus também é delicada. As tarifas impostas durante o governo Trump forçaram a suspensão temporária das vendas do Emira no país.

Já o SUV elétrico Eletre, produzido na China e posicionado como um produto de luxo, teve suas entregas paralisadas por temores de encarecimento com novas tarifas. O Emeya, sedã elétrico que deveria ampliar a linha, sequer chegou ao mercado.
Políticos locais criticaram duramente a decisão da empresa. Um parlamentar da região classificou as demissões como um “soco no estômago” para os trabalhadores e para a economia local, que depende da presença da Lotus há décadas.
A imagem da marca, que sempre foi associada à engenharia leve, desempenho e tradição britânica, parece agora diluída em promessas não cumpridas e estratégias comerciais frágeis.
A esperança de retorno financeiro com SUVs elétricos premium fabricados na China não se concretizou, e a base de fãs fiéis dos modelos esportivos vê, com tristeza, a identidade da Lotus desmanchar aos poucos.

Numa indústria onde inovação e solidez são cruciais, a Lotus segue tropeçando, insistindo em sobreviver com uma base instável e um portfólio que não empolga.
Se não houver uma guinada drástica e bem executada, a marca que há décadas “circula o ralo” pode finalmente se perder no esgoto da história automotiva.
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