
Poucos carros conseguiram marcar a indústria automotiva como o Model S da Tesla, mas o fim de sua história será menos glorioso do que muitos imaginaram.
Após anos de queda nas vendas e decepções no desenvolvimento de novos projetos, a Tesla anunciou que vai encerrar definitivamente a produção dos modelos Model S e Model X.
A decisão vem num momento delicado: o lucro da empresa despencou 61% no último trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
No acumulado do ano, a queda foi ainda mais alarmante, com retração de 46% no lucro anual.
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As vendas globais de veículos também seguem em declínio: só em 2025, o faturamento com carros caiu 11% em relação a 2024.
Pior ainda, foi o segundo ano consecutivo de retração nas vendas, sinalizando que o problema é estrutural — e não apenas uma oscilação passageira.
No relatório mais recente, a Tesla revelou que entregou 50.850 unidades somadas do Cybertruck, Model S e Model X em 2025.
Esse número representa uma queda de 40,2% frente ao ano anterior, e boa parte desse total veio provavelmente dos dois modelos que agora serão descontinuados.
Na conferência com investidores, Elon Musk confirmou que a produção dos dois EVs será encerrada no próximo trimestre.
Segundo ele, “é hora de dar baixa honrosa ao programa do Model S e do Model X”, argumentando que o foco da Tesla agora é a direção autônoma.
Ainda de acordo com Musk, quem quiser adquirir um desses dois modelos deve correr, pois os últimos exemplares estão prestes a ser fabricados.
Apesar da fala melancólica, Musk afirmou que os donos atuais ainda terão suporte “enquanto tiverem os veículos”, sem especificar por quanto tempo isso realmente vai durar.
A Tesla já vinha tratando esses modelos como peças de museu há anos, com reestilizações pouco inspiradas e vendas cada vez menores.
Tanto o Model S quanto o Model X já têm mais de uma década de estrada e, apesar da importância histórica, não acompanharam a evolução do segmento de EVs.
Em vez de desenvolver sucessores diretos, a Tesla preferiu focar em promessas futuristas — e muitas vezes duvidosas.
Um exemplo é o robô Optimus, que agora ocupará o espaço deixado pelos dois modelos na fábrica de Fremont, na Califórnia.
Musk prometeu apresentar uma versão “de produção em massa” do robô ainda neste trimestre, com a primeira unidade pronta até o fim do ano.
Ele já afirmou que a meta é fabricar um milhão de Optimus por ano — embora o histórico da empresa sugira que tais metas são pouco realistas.
Além disso, o excêntrico bilionário voltou a citar o projeto do Tesla Cybercab, um táxi autônomo que ainda não saiu do papel.
Apesar de todas essas promessas, o fim do Model S deixa um vazio difícil de preencher no portfólio da Tesla.
O sedã foi um divisor de águas para os EVs de alto desempenho e luxo, inspirando toda a indústria a olhar com mais seriedade para a mobilidade elétrica.
Infelizmente, nos últimos anos, o modelo perdeu relevância, enquanto a Tesla parece cada vez mais focada em delírios futuristas do que em inovação real.
O adeus ao Model S e ao Model X é também um reflexo da crise de identidade que a empresa enfrenta — e que pode custar caro nos próximos anos.
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