
Comprar carro costuma ser menos uma experiência de descoberta e mais um teste de paciência, e agora uma empresa sul-coreana quer trocar o “papo” do showroom por um quiosque de IA.
A Epikar, conhecida por desenvolver soluções digitais de gestão para concessionárias, batizou sua nova aposta de Pikar Genie, um dispositivo para atender clientes no salão.
A proposta é simples: o visitante fala com o totem, tira dúvidas sobre produtos, compara versões e faz quase tudo que faria com um vendedor, exceto finalizar a venda e assinar papelada.
Não chega a ser o mesmo nível de “aperte aqui e retire seu pedido” dos totens de fast-food, mas a lógica é parecida, com o atendimento padronizado virando interface.
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Segundo a Automotive News, o setor reage com “ceticismo”, ainda que marcas como Renault, BMW e Volvo já usem produtos da Epikar em concessionárias na Coreia do Sul.
A novidade, porém, ainda está no começo, e a própria reportagem aponta que o Pikar Genie é um produto de contato direto com o cliente que está em fase inicial.
Mesmo assim, a Epikar mira expansão para os Estados Unidos e, ao que tudo indica, já testa suas soluções em pelo menos uma concessionária no país.
A Automotive News citou o CEO da Epikar, Bosuk Han, dizendo que a Renault coloca três vendedores no showroom de Seul com automação da Epikar, contra seis em outras lojas Renault na Coreia do Sul.
Do lado americano, o consultor de concessionárias Fleming Ford, Diretor de Strategic Growth na NCM Associates, avaliou para a Automotive News que as lojas dos EUA “não estão prontas para showrooms totalmente automatizados”.
Ele argumentou que o showroom não é só onde se compra um carro, mas onde se decide em quem confiar para ajudar a escolher o modelo certo.
Só que, para muita gente, “confiança” não combina com um atendimento motivado por comissão, e a conversa frequentemente parece mais um script do que um diálogo.
Eu mesmo entrei em concessionárias como comprador menos de uma dúzia de vezes, e a sensação, quase sempre, foi de interação ensaiada e insistente.
Um exemplo recente foi ajudar meu avô a comprar uma Nissan Frontier nova, já que ele dirige picapes desde os anos 1960 e queria especificamente uma Frontier simples, cabine curta, provavelmente sua última.
Expliquei isso numa loja Nissan, o vendedor concordou sorrindo, digitou um texto interminável, imprimiu uma proposta e colocou na minha mão um acordo para uma PRO-4X topo de linha com quatro portas.
Saímos na hora, e dias depois outra concessionária só avançou quando eu literalmente li para o vendedor o número de estoque do site da própria loja para ele buscar a chave.
Por isso, mesmo sem ser “fã” de IA, é difícil lamentar uma substituição que, na prática, pode apenas trocar um robô humano por um robô de verdade.
A própria Epikar ainda passa um sinal estranho — o site dela não carregava em navegadores no momento citado — mas a tendência pode avançar quando a tecnologia encaixar na burocracia de financiamento, seguro, título e registro.
E, quando isso acontecer, o apelo para o dono da loja é óbvio: um “vendedor” que não faz pausa, acessa informação instantaneamente e, sobretudo, não pede comissão tende a ganhar espaço, goste o cliente ou não.
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