Estacionou, saiu e esqueceu: novo sistema faz robô no teto buscar seu EV, conectar o cabo e deixar o veículo pronto para uso

china robos carregadores de evs (3)
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Quem já rodou por andares de estacionamento caçando a única vaga com carregador disponível entende na pele como a infraestrutura de recarga ainda trava a vida de quem usa EV diariamente.

Porém, a lógica já começou a mudar com sistemas em que pequenos robôs presos a trilhos no teto deslizam sobre as vagas e vão até o carro em vez de obrigar o motorista a caçar tomadas.

Esses carregadores aéreos transformam praticamente qualquer vaga em potencial ponto de recarga, sem precisar instalar um equipamento caro e dedicado em cada espaço do subsolo.

Na prática, o sistema funciona com um robô compacto suspenso em um trilho que leva energia e também serve de rota para o movimento ao longo da fileira de vagas.

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Quando o dono do EV pede carga, lá na China , geralmente por QR code ou miniaplicativo no WeChat, o robô se desloca até o carro, identifica o local exato da tomada e desce o conector automaticamente.

china robos carregadores de evs (2)
china robos carregadores de evs (2)

A solução entrega recarga em corrente alternada de nível 2, bem mais lenta que supercarregadores de 1.000 kW, mas perfeita para carros parados por horas em escritórios, shoppings ou condomínios.

O grande ganho está na infraestrutura: em vez de puxar fiação pesada e quadro elétrico individual para dezenas de vagas, um único ponto de alimentação sustenta o trilho e atende toda a linha.

Várias empresas chinesas correm para dominar esse nicho, com destaque para a parceria entre Li Auto e CGXi, que desenvolve um braço robótico “sem operador” guiado por sensores e visão computacional.

Outra protagonista é a Wawa Charging, com o robô HAVA, um braço flexível com 18 graus de liberdade que corre em trilhos em forma de H e, segundo a empresa, atende pelo menos oito vagas.

china robos carregadores de evs (1)
china robos carregadores de evs (1)

Na base teórica, pesquisadores criaram o conceito SkyvoltRobot, descrito em artigo de 2024, que serviu de referência de engenharia para muitos desses sistemas comerciais em trilhos aéreos.

Em paralelo, cresce o uso de robôs de chão, como os da CharGo, empresa ligada à CATL, além de NaaS, GGSN e VMR, que levam bateria móvel até carros parados como se fossem pequenos “reboques elétricos”.

O mercado de robôs móveis de recarga já movimentava cerca de R$ 419,7 milhões em 2025 e pode chegar perto de R$ 1,56 bilhão em 2034, com a China detendo um terço desse bolo.

Em uma visão mais ampla, alguns analistas projetam que estações de recarga robotizadas como categoria alcancem algo em torno de R$ 71,5 bilhões até 2029, impulsionadas principalmente pela demanda chinesa.

Hoje o país soma aproximadamente 14,4 milhões de pontos de recarga para uma frota de 31,4 milhões de EVs, ainda assim com lacunas importantes justamente em garagens subterrâneas de uso diário.

Para preencher esse buraco, a estratégia oficial inclui instalar 100 mil estações públicas ultrarrápidas até 2027, com exigência de inteligência na gestão, tarifa dinâmica, integração com solar e espaço para robôs cuidando de carros estacionados.

O governo de Pequim, por exemplo, pretende espalhar mil robôs carregadores móveis por 150 estacionamentos, enquanto a CharGo projeta que, em 2030, 20% dos veículos de nova energia sejam recarregados por máquinas autônomas.

No Ocidente, a resposta ainda é tímida: a americana Westfalia lançou o WEPLUG, um sistema aéreo de 50 kW, equivalente a cerca de 68 cv de potência elétrica, pensado para frotas e garagens automatizadas.

Startups como a Gravity instalam carregadores de teto de até 500 kW, algo próximo a 680 cv, e soluções como a Voltpost Air usam postes de iluminação, mas tudo ainda em escala de piloto, longe do ritmo chinês.

A grande sacada do modelo “o carregador encontra o carro” é acabar com a disputa por poucas vagas com tomada e transformar todo o estacionamento em infraestrutura de recarga, gastando bem menos em obra e cabeamento pesado.

Ao mesmo tempo, eliminar robôs circulando no piso reduz conflito com pedestres e carros, simplifica o software de navegação e torna o sistema mais fácil de escalar em garagens antigas já apertadas.

Talvez não seja a parte mais glamourosa da revolução elétrica, mas é justamente esse tipo de solução simples e escalável que define quem realmente está vivendo o futuro da mobilidade.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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