
Quem já ficou parado em semáforo de Taipé sabe que, quando a luz verde acende, não é um carro que domina a cena, mas um enxame de scooters.
Em Taiwan, as duas rodas são tão populares que superam os carros em uma proporção de cerca de dois para um, e isso pesa na conta da poluição urbana.
Percebendo que não adiantava mirar apenas em SUVs e sedãs, o governo decidiu atacar justamente o veículo que manda nas ruas: a velha scooter a combustão.
Desde 2022, o país roda um programa batizado de “substituição e pareamento de veículos”, que basicamente paga para cidadãos aposentarem motos e carros antigos em troca de modelos elétricos.
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Segundo o Ministério do Meio Ambiente taiwanês, já foram 124.798 veículos pareados e substituídos, com redução acumulada de 529.212 toneladas de CO2 equivalente até o fim de 2025.
O valor dos incentivos varia conforme o tipo de veículo e combustível, com recompensas menores para scooters e mais gordas para caminhões a diesel mais poluentes.
Nos casos mais críticos, o bônus pode chegar perto de R$ 2,6 mil, valor que em muitas regiões representa algo próximo a um salário mensal completo.
Quando se considera que uma scooter elétrica nova de marcas como KYMCO custa bem menos de R$ 5,2 mil, a conta começa a ficar muito interessante para o bolso do usuário.
A equação melhora ainda mais com a economia em combustível e manutenção, já que recarregar bateria sai bem mais em conta do que abastecer tanque de gasolina todo mês.
Outro ponto-chave é que os subsídios são nacionais, mas contam com adesão ativa de governos locais e unidades de desenvolvimento em grandes cidades como Tainan e Kaohsiung.
Empreendimentos inscritos em programas de compensação de gases de efeito estufa também são obrigados a adotar medidas de substituição de frota, o que amplia o alcance da política.
Taiwan parte de uma base privilegiada: o país já tem uma das redes de scooters elétricas mais avançadas do mundo, com sistemas de troca de baterias e recarga espalhados por áreas densas.
Empresas como Gogoro e a própria KYMCO construíram ao longo dos últimos anos uma malha de estações que permite rodar praticamente só trocando módulos em poucos minutos.
Isso significa que o dinheiro público não está tentando empurrar uma tecnologia inexistente, mas acelerar uma transição que já é viável na prática para quem depende da moto todo dia.
Quase 125 mil trocas ainda estão longe de limpar todos os cruzamentos enfumaçados, mas mostram como um incentivo bem focado pode mexer na frota que realmente domina o trânsito.
Em um país onde as scooters são quase extensão do corpo dos moradores, pagar para que elas se tornem elétricas começa a redesenhar o “tsunami” na hora que o sinal abre.
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