Estudo mostra que carros híbridos plug-in poluem mais que modelos a gasolina se não forem devidamente carregados

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Na teoria, os híbridos plug-in prometem ser o equilíbrio ideal entre desempenho limpo e praticidade, mas na prática, a história é bem diferente — e os dados agora confirmam isso com clareza preocupante.

Um novo estudo analisou o comportamento de usuários reais de veículos híbridos plug-in (PHEVs) e descobriu que, quando esses carros não são recarregados regularmente, suas emissões podem ultrapassar até mesmo as de modelos totalmente a combustão.

A pesquisa foi conduzida em Xangai, na China, acompanhando o uso de 500 condutores ao longo de três meses, combinando os dados com testes reais de emissão em dois modelos de PHEV em diferentes modos de operação.

Ao rodar no modo elétrico (modo “Charge Depleting”), os híbridos plug-in podem emitir entre 40% e 60% menos óxidos de nitrogênio que carros convencionais, o que reforça seu potencial ambiental.

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O problema é que esse cenário ideal não se reflete no uso cotidiano: no modo de uso real, quando os motoristas carregam os carros apenas quando querem, as emissões de CO2 atingiram 220 toneladas, mais que o dobro do ideal.

Foram avaliados quatro cenários: o primeiro (S1) refletia o uso real; o segundo (S2) previa recarga sempre que possível; o terceiro (S3) considerava o carro nunca sendo recarregado; e o quarto (S4) assumia recarga total antes de cada trajeto.

No cenário mais eficiente (S4), os veículos emitiram 124 toneladas de CO2; no pior (S3), sem qualquer recarga, a emissão disparou para 285 toneladas.

O cenário mais alarmante é que o uso mais comum (S1) se aproxima mais do pior do que do ideal, evidenciando que grande parte dos usuários simplesmente não recarrega seus PHEVs com frequência suficiente.

A diferença nas emissões de NOx (óxidos de nitrogênio) foi ainda mais drástica: 0,161 tonelada no melhor cenário contra quase 3 toneladas no pior.

Além da questão da recarga, há um fator físico inevitável: PHEVs são mais pesados do que carros comuns, por causa das baterias e dos motores elétricos, o que aumenta o consumo de combustível quando operam com motor a combustão.

Quando a bateria atinge níveis baixos, o sistema tenta recarregá-la usando o próprio motor a gasolina, o que impõe maior esforço ao conjunto e contribui para emissões elevadas.

Segundo os autores do estudo, os PHEVs só cumprem seu papel ecológico quando recarregados com frequência e utilizados de fato no modo elétrico.

Caso contrário, tornam-se armadilhas ambientais travestidas de tecnologia limpa, e muitas vezes piores do que veículos puramente a gasolina.

Esse tipo de uso incorreto pode estar ligado ao fato de que muitos compradores adquiriram esses modelos apenas para se beneficiar de subsídios, e não por real preocupação com sustentabilidade.

Vale lembrar que, nos Estados Unidos, os PHEVs já chegaram a receber o mesmo incentivo fiscal de US$ 7.500 (cerca de R$ 39 mil) que os EVs puros, mesmo sem garantias de uso correto.

Apesar disso, fabricantes evitam divulgar dados sobre quantas vezes os donos realmente recarregam seus veículos, o que levanta suspeitas sobre o uso dos incentivos públicos.

Com o fim dos créditos fiscais para EVs nos EUA e a decisão da Stellantis de eliminar todos os PHEVs da sua linha na América do Norte, o futuro dessa categoria fica cada vez mais incerto.

A pesquisa reforça um alerta que muitos ignoravam: o sucesso ambiental dos PHEVs depende menos da tecnologia e mais do comportamento dos motoristas.

E sem compromisso real com a recarga, os híbridos plug-in podem acabar sendo apenas mais uma ilusão verde sobre rodas.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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