
Mesmo após a União Europeia afrouxar levemente sua meta para o fim dos motores a combustão em 2035, as montadoras confirmaram que o foco na Europa continuará sendo totalmente voltado aos veículos elétricos.
Durante o Salão de Bruxelas, executivos de marcas como Kia, Renault e Stellantis reforçaram que a transição para os EVs segue como prioridade, independentemente da flexibilização anunciada.
O alívio na regra permite que as fabricantes liberem até 10% das emissões de 2021, desde que usem materiais sustentáveis e combustíveis de baixa emissão — exigências que, na prática, reduzem essa margem para cerca de 3%.
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Sjoerd Knipping, diretor de operações da Kia Europa, declarou que a mudança “dá alguma flexibilidade”, mas não altera a rota estratégica da marca.
A Kia, inclusive, aproveitou o evento para revelar seu elétrico mais acessível, com previsão de preço abaixo dos €30 mil, mirando o segmento de entrada do mercado europeu.
Na Renault, a posição é semelhante. O diretor de produto, Bruno Vanel, reafirmou que a montadora continuará investindo em elétricos acessíveis, ao lado de híbridos e modelos com motor auxiliar.
“A direção continua clara: vamos para os elétricos. Isso não muda”, resumiu Vanel.
Na Stellantis, a crítica é que a flexibilização veio tarde e não resolve os desafios da indústria no continente.
O CEO Antonio Filosa lamentou que as mudanças da UE não tenham oferecido incentivos reais para tornar a transição mais viável financeiramente para as fabricantes.
Já Emanuele Cappellano, novo chefe da Stellantis na Europa, afirmou que seria preciso mais liberdade para diversificar produtos e manter a produção ativa nas fábricas da região.
Apesar disso, a empresa não pretende retomar o foco em motores tradicionais. “Não estamos pedindo a volta da combustão. Só mais opções dentro do caminho elétrico”, disse Cappellano.
Analistas e ambientalistas alertam que o maior risco do recuo europeu é permitir que a indústria do Ocidente fique atrás da China, que avança com rapidez no mercado europeu por meio de marcas como Zeekr, da Geely.
Para Lothar Schupet, CEO interino da Zeekr Europa, já está claro que a melhor tecnologia hoje é a elétrica — o que falta é a indústria aceitar isso e ajustar o foco.
Os números reforçam esse cenário: em 2025, foram vendidos 2,9 milhões de elétricos na Europa, um aumento de 31% em relação ao ano anterior, o que representa 24% de todo o mercado de carros novos na região.
Mesmo com a pequena abertura para motores a combustão, o setor automotivo europeu parece já ter escolhido seu caminho: e ele é totalmente elétrico.
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