
A indústria do petróleo ganhou um adversário silencioso que não precisa convencer ninguém por ideologia: basta o motorista plugar na tomada e deixar o tanque de gasolina para depois.
Um cenário modelado pela BloombergNEF estima que a adoção global de EVs evitou o consumo de 2,3 milhões de barris de petróleo por dia no ano passado.
A projeção é que essa economia de combustíveis fósseis cresça ano após ano até o fim da década, conforme mais motoristas migrem para veículos movidos a bateria.
Claudio Lubis, analista de petróleo da BNEF, afirma que a tendência acelera especialmente quando a escolha passa a ser econômica, não necessariamente guiada por metas climáticas.
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No chamado Economic Transition Scenario, em que governos priorizam tecnologias mais baratas e viáveis, a demanda evitada pode mais que dobrar até 2030.
Pela conta da BNEF, a economia diária projetada para 2030 chega a 5,25 milhões de barris de petróleo que deixam de ser queimados nas estradas.
Um detalhe que muda a leitura do fenômeno é que, hoje, a maior parte do combustível evitado vem de veículos de duas e três rodas.
O motivo é o aumento de motos elétricas, sobretudo em países em desenvolvimento, onde a troca é rápida e o uso diário é intenso.
Os carros elétricos, por sua vez, devem pesar mais na redução de demanda por petróleo na segunda metade da década, à medida que virarem maioria em mais mercados.
Há, porém, diferenças relevantes dependendo do método: um relatório separado, divulgado na quarta-feira pela Ember, aponta 1,7 milhão de barris por dia evitados no ano passado.
Daan Walter, analista da Ember, diz que o número menor vem de estimativas mais conservadoras sobre quanto os híbridos plug-in rodam de fato com combustível fóssil.
A Ember também ajusta a conta levando em consideração a venda de EVs pesados, tratando o impacto com mais cautela do que outros modelos.
Mesmo assim, o estudo calcula que, com o barril de petróleo a US$ 80 (aproximadamente R$ 416), a economia em importações pode ser gigantesca para alguns blocos.
Nas condições atuais de consumo, a Ember estima que a China economizaria mais de US$ 28 bilhões [cerca de R$ 145,6 bilhões] por ano em importações evitadas graças à sua frota de EVs.
A Europa, no mesmo raciocínio, pouparia US$ 8 bilhões (equivalente a R$ 41,6 bilhões) por ano, enquanto a Índia reduziria a conta em US$ 600 milhões [aproximadamente R$ 3,1 bilhões] anuais.
O mercado, por outro lado, esperava desaceleração nas vendas globais de EVs neste ano, com a China reduzindo alguns subsídios e mudanças políticas em outros centros.
O texto cita a Europa abandonando planos de eliminar motores a combustão em 2035 e os EUA fazendo um retorno em políticas de tecnologia limpa.
Só que o aumento dos preços de combustíveis, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, reacendeu o interesse por EVs, recolocando o tema no bolso do consumidor.
Walter resume o argumento econômico: EVs estão cada vez mais competitivos contra carros a gasolina, e a volatilidade do petróleo vira incentivo para proteger países de choques futuros.
A velocidade da adoção aparece nas vendas: a participação de EVs supera 10% do total em 39 países, contra apenas quatro países em 2019.
A análise da Ember aponta que nações asiáticas estão entre as mais rápidas, e isso já desacelera o crescimento da demanda por petróleo de forma perceptível.
Em 2025, a China passou de 50% de participação de EVs nas vendas pela primeira vez, enquanto essa fatia foi de 38% no Vietnã e 21% na Tailândia.
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