EVs não cresceram como prometeram, e a VW quer ganhar dinheiro com baterias de outro jeito: armazenamento gigante e compra e venda de energia

vw Autostadt Wolfsburg
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Nem todo plano de bateria precisa terminar em um carro, e a Volkswagen está apostando que a próxima onda de receita pode vir da rede elétrica, não das ruas.

Com a demanda global por EVs abaixo do que se imaginava, a maior montadora da Europa decidiu ampliar sua ambição para armazenamento estacionário e negociação de energia.

A empresa iniciou na segunda-feira a operação de sua primeira grande instalação de armazenamento em Salzgitter, na Alemanha, por meio da subsidiária de energia Elli.

O sistema, segundo a companhia, consegue abastecer até 20.000 residências por aproximadamente duas horas, usando uma estrutura conectada diretamente à rede.

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Além de estabilizar o fornecimento, o local também será usado para trading de energia na bolsa europeia de eletricidade EPEX SPOT, integrando operação física e mercado.

A instalação utiliza células produzidas pela PowerCo, divisão interna de baterias que já mirou até sete fábricas para EVs e vem reduzindo o ritmo dos planos.

A própria PowerCo já moderou as ambições para a fábrica de células alemã em Salzgitter, num ajuste que reflete uma adoção de EVs mais fraca que o esperado.

A Volkswagen busca novas fontes de receita com baterias num cenário em que fornecedores chineses dominantes cortam preços e comprimem margens.

No passado recente, o grupo tinha como objetivo produzir o suficiente para abastecer cerca de 3 milhões de EVs por ano até 2030, quando o mercado parecia mais promissor.

Agora, armazenamento de energia virou um negócio quente por causa do avanço de data centers que consomem muita eletricidade e do crescimento de renováveis na rede.

“Armazenamento de energia e trading de energia representam uma nova área estratégica com forte potencial de crescimento”, disse o CEO Oliver Blume.

Desde que criou a PowerCo em 2022, a Volkswagen cortou pela metade a capacidade de rampa na planta de células de Salzgitter, para 20 gigawatt-hora por ano.

Ainda assim, a empresa mantém planos de longo prazo de chegar a até 200 gigawatt-hora somados em três fábricas previstas na Alemanha, Espanha e Canadá.

Executivos, porém, já reconheceram que a expansão dependerá das condições do mercado automotivo, um recado direto sobre a incerteza do ritmo de EVs.

A Volkswagen também reduziu os planos gerais de investimento do grupo e afirmou que a PowerCo pode buscar financiamento externo no médio prazo.

Ao conectar fabricação de células, armazenamento estacionário e trading digital em um único site, a empresa quer criar em Salzgitter um ecossistema fechado de baterias.

A leitura é que serviços à rede e ganhos com negociação podem amortecer eventuais perdas na PowerCo e ajudar a Alemanha na transição renovável, enquanto a guerra no Irã impulsiona preços de petróleo e gás.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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