
A ofensiva chinesa no mercado automotivo mexicano está em ritmo acelerado e já preocupa governos, montadoras tradicionais e até os Estados Unidos.
Mesmo com novas tarifas de até 50%, os carros elétricos da China seguem com forte apelo entre os consumidores do México.
A combinação de preços baixos, incentivos fiscais e uma malha crescente de recarga transformou marcas como a BYD em favoritas dos mexicanos.
A fabricante chinesa, maior vendedora de veículos elétricos do mundo, praticamente domina o segmento no país, com 70% das vendas de EVs e híbridos plug-in.
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Somente no ano passado, a BYD dobrou seu volume de vendas no México, liderando uma verdadeira revolução no mercado local.
Modelos compactos como o Dolphin Mini circulam em peso por bairros como Condesa e Polanco, em meio a novos showrooms e campanhas de marketing agressivas.
O sedã híbrido BYD King, por exemplo, atrai consumidores como Mónica Reyes, que trocou sua antiga picape a gasolina por um elétrico de R$ 130 mil.

Segundo ela, a economia com combustível e o custo-benefício do carro fizeram a escolha óbvia.
Em comparação, o Spark EUV, modelo elétrico da Chevrolet, custa cerca de R$ 10 mil a mais, tornando-se menos competitivo.
A chegada chinesa surpreendeu o governo mexicano, que reagiu com a criação de tarifas para veículos de países sem acordo de livre comércio.
As medidas foram aprovadas no fim de 2025, mas analistas dizem que o impacto será limitado.
Representantes da BYD indicam que os aumentos de preço devem ser modestos, absorvendo parte do custo para manter a competitividade.
Empresas como JAC Motors e Great Wall Motor também já têm presença consolidada no país e devem seguir ampliando participação.
O cenário também revela o descaso das montadoras tradicionais com o mercado mexicano de elétricos.
A Ford, por exemplo, fabrica o Mustang Mach-E no país, mas o vende localmente com um sobrepreço de R$ 50 mil em relação ao valor nos EUA.
A GM, que produz três modelos elétricos no México, vendeu apenas 1.540 unidades em 2025.
A Tesla emplacou menos de 4 mil veículos no mesmo período — quatro vezes menos que a BYD.
Enquanto isso, marcas chinesas vendiam quase 100 mil EVs e híbridos plug-in em 2025, um salto enorme em relação aos 500 veículos registrados em 2021.
A razão por trás do sucesso chinês vai além do preço: há financiamento facilitado, isenções fiscais e benefícios para quem adquire EVs.
Mais de 60% dos chineses vendidos no México foram financiados com taxas de juros a partir de 7,9%, abaixo da média nacional de 13%.
Além disso, elétricos estão isentos de imposto na compra, têm deduções no imposto de renda e podem circular mesmo em dias de restrição ambiental.
Entre 2025 e 2030, esses veículos ainda contarão com dedução fiscal imediata de até 86% do valor, graças ao “Plan México”.
Para acelerar ainda mais a adoção, o governo oferece créditos fiscais para instalação de pontos de recarga e condições especiais com a estatal de energia CFE.
A partir de abril, a BYD começará a implementar no México sua tecnologia de recarga ultrarrápida, capaz de fornecer 400 km de autonomia em 5 minutos.
Com esse cenário, marcas ocidentais parecem ter subestimado o potencial do mercado mexicano.
Enquanto elas hesitam, a China avança — e já começa a moldar o futuro automotivo do México com velocidade impressionante.
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