Fábricas esvaziadas: Produção da Stellantis despenca a níveis da década de 1950 e governo pressiona na Itália

fabrica stellantis turim (1)
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A indústria automobilística italiana vive uma crise que lembra tempos remotos e sombrios. Em 2025, a produção de veículos da Stellantis no país recuou a níveis que não eram vistos desde meados da década de 1950.

O tombo de 20% em relação ao ano anterior revela a dificuldade da empresa em manter suas operações relevantes dentro do território italiano.

Segundo dados do sindicato FIM-CISL, foram produzidos 379.706 veículos no total, sendo 213.706 automóveis de passeio.

Para efeito de comparação, em 1955 — quando a antiga Fiat dominava o cenário — foram fabricados 230.988 carros.

O colapso só não foi mais grave porque houve uma leve recuperação no último trimestre. Até setembro, a queda acumulada era de 36% na produção de carros de passeio.

novo fiat 500 hybrid 2
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A fábrica de Mirafiori, em Turim, conseguiu respirar nos meses finais do ano com o início da produção do novo Fiat 500 híbrido.

Outra aposta foi o Jeep Compass, que começou a ser montado no sul do país, numa tentativa de substituir modelos antigos.

Mesmo assim, todas as demais fábricas italianas da Stellantis registraram retrações de dois dígitos.

Em Melfi, a queda foi dramática: quase 50% a menos que no ano anterior. A situação é tão crítica que já se discute o futuro da planta de Cassino, que passou 105 dias parada em 2025.

O modelo Fiat Pandina, produzido em Melfi, também corre risco de perder espaço frente ao compacto chinês Leapmotor T03.

novo fiat 500 hybrid 3
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Outro fator de pressão é a chegada de um novo Panda, maior, que pode canibalizar o modelo atual.

A tentativa de reverter o cenário passa pelo aumento na produção de híbridos, especialmente do Fiat 500. O objetivo é alcançar 100 mil unidades por ano, o que daria nova utilidade à fábrica de Mirafiori.

A versão 100% elétrica do 500, lançada anteriormente, fracassou em conquistar o público europeu.

Essa virada permitiu um aumento de 17% na produção local de Turim, mas foi um caso isolado dentro da operação italiana.

O restante das unidades produtivas segue em declínio, agravando o mal-estar entre empresa, sindicatos e governo.

O novo CEO da Stellantis, Antonio Filosa, assumiu em junho e tenta acalmar os ânimos em Roma.

Ele prometeu manter os compromissos com o país, mesmo com os pesados investimentos que o grupo tem feito nos Estados Unidos.

Em 2025, foram mais de R$ 44 bilhões em encomendas com fornecedores que atuam na Itália, segundo o executivo.

Além disso, a empresa teria investido cerca de R$ 12 bilhões nas fábricas italianas ao longo do ano.

Mas os números não convencem o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que cobra mais ação e menos promessas.

A Stellantis tem 14 marcas em seu portfólio, entre elas Fiat, Peugeot e Opel. No entanto, boa parte da produção foi transferida para países de menor custo, como Marrocos.

A estratégia do antigo CEO Carlos Tavares alimentou o descontentamento do governo e dos trabalhadores italianos.

Para piorar, a Stellantis enfrenta agora a ofensiva de montadoras chinesas, como a BYD e a Leapmotor.

O grupo, inclusive, passou a vender modelos da Leapmotor na Europa, acirrando ainda mais a competição interna.

O sindicato FIM-CISL afirma que o grupo precisa agir com urgência em fábricas como Cassino e Termoli. A falta de decisões estratégicas pode comprometer ainda mais o futuro da produção no país.

No auge recente, a Itália chegou a produzir mais de 750 mil veículos por ano, mas hoje esse número foi praticamente cortado pela metade.

Durante muito tempo, o país fabricava mais de 1 milhão de unidades anuais, mas esse patamar parece cada vez mais distante.

A Stellantis deve apresentar seu novo plano estratégico no primeiro semestre de 2026, sob pressão crescente para salvar o que restou da sua presença industrial na Itália.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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