
Há um detalhe que separa um carro desejável de um eletrônico genérico: a sensação de controle na ponta dos dedos, e isso virou uma guerra silenciosa nas cabines.
Quem escancarou o tema foi Benedetto Vigna, CEO da Ferrari, ao falar na Índia durante o lançamento do 849 Testarossa no país.
Ele comentou o crescimento do número de pessoas de altíssimo patrimônio na Índia e o potencial do mercado, mas foi direto ao ponto sobre interiores.
Em entrevista à Autocar India, Vigna explicou por que tantas marcas migraram para controles do tipo “haptics” e superfícies táteis no lugar de botões físicos.
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Segundo ele, botões “touch” favorecem o fornecedor porque são mais baratos de produzir, e a diferença pode chegar a 50% no custo.
Vigna disse que, para botões “bonitos”, com aparência artesanal e acabamento caprichado, é preciso desenvolver mais ferramentas e processos de fabricação.
Na prática, ele reconheceu que um botão háptico costuma ser o mesmo por baixo da pele, independentemente da montadora que compra o componente.
E aí aparece o incômodo da Ferrari: conviver com produtos eletrônicos parecidos é aceitável, mas circular com carros que parecem todos iguais não é.
Por isso, a marca decidiu trazer de volta comandos físicos no volante do 849, movimento que ele descreveu como uma busca por algo realmente único.
A mudança, segundo Vigna, começou com o Amalfi, que já adotou botões e, como ele destaca, mais alumínio anodizado para elevar a interação.
O novo Testarossa segue essa linha, e a discussão ganhou força depois do material que circulou sobre o modelo com 1.050 cv.
A fala chama atenção também pelo currículo de Vigna antes da Ferrari, com passagem por tecnologia, semicondutores e interfaces acionadas por movimento.
A pergunta óbvia é se alguém que compra Ferrari liga para custo, já que pagar algumas centenas a mais por um volante mecânico parece irrelevante.
Mesmo assim, a marca encontrou um incentivo extra: Vigna aponta que a Ferrari vende um volante de reposição com mais comandos analógicos para Purosangue e 12Cilindri, cobrando de novo.
E a provocação fica maior com a Luce, a EV futura da Ferrari, que aposta ainda mais em botões e switches, contrariando a estética “ultrafuturista” típica do segmento.
O interior da Luce foi desenhado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, com resultado descrito como diferente não só para a Ferrari, mas para qualquer marca moderna.
No fim, a lógica vale como alerta: Volkswagens do mundo talvez não sofram o mesmo salto de custo para voltar a botões, mas a conta existe — e explica por que a guinada é lenta em massa e rápida na Ferrari.
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