
Num cenário em que marcas de luxo sofrem com câmbio instável, tarifas e consumidores mais cautelosos, a Ferrari NV conseguiu entregar exatamente o que o mercado mais queria: previsibilidade com margens altas.
A fabricante apresentou novas metas para 2026 e indicou que consegue sustentar crescimento e rentabilidade mesmo em plena transição de portfólio, o que ajudou a dissipar a forte desconfiança criada após o dia do investidor de outubro.
As ações chegaram a saltar cerca de 11% e ainda avançavam mais de 8% em Milão, no meio da tarde, no maior movimento intradiário desde março de 2020, quando a pandemia chacoalhava as bolsas mundiais.
Para o ano, a companhia trabalha com uma projeção de faturamento em torno de R$ 46,3 bilhões, com Ebitda ajustado de pelo menos R$ 18,1 bilhões, números que superam levemente as estimativas de lucro operacional dos analistas.
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Relatórios de casas como a Bernstein destacaram que as margens projetadas vinham circulando em cenários bem mais pessimistas, e o fato de a montadora mirar níveis acima desses boatos explica parte do alívio imediato no comportamento do papel.

A empresa reforçou que a estratégia continua baseada em poder de preço, combinação de produtos mais rentáveis e personalização profunda, e não em volume, o que permite defender margens mesmo em uma fase de troca intensa de modelos.
Modelos recentes como SF90 XX e 12Cilindri ajudaram a puxar os resultados, enquanto o programa limitado Daytona SP3, que havia turbinado margens em trimestres anteriores, começa a ser descontinuado para abrir espaço ao novo híbrido F80.
A Ferrari também vem aumentando receitas com patrocínios e com pacotes de personalização para clientes que podem facilmente ultrapassar a casa de R$ 5,2 milhões em um único carro altamente configurado, reforçando a aura de exclusividade.
No quarto trimestre, a receita líquida chegou a aproximadamente R$ 11,1 bilhões, superando a média de projeções próxima de R$ 10,9 bilhões, enquanto o Ebitda avançou para cerca de R$ 4,3 bilhões, também acima dos R$ 4,1 bilhões esperados pelo mercado.
Apesar da força financeira, a companhia projeta impacto cambial negativo líquido mesmo após operações de hedge, mostrando que parte do desafio em 2026 virá de fatores macroeconômicos fora do alcance da gestão.

O diretor financeiro Antonio Picca Piccon afirmou que a carteira de pedidos garante visibilidade até o fim de 2027, o que reforça a percepção de demanda resiliente, e confirmou a proposta de elevar o payout de dividendos de 35% para 40% do lucro líquido.
As entregas, porém, recuaram 5,2% no quarto trimestre, para 3.152 carros, com queda de 36% na região da Grande China e de 8% nas Américas, mostrando que o equilíbrio entre exclusividade e presença global continua delicado.
A Ferrari fez questão de dizer que a retração não reflete falta de interesse, lembrando o limite autoimposto de algo em torno de 10% das remessas globais para a China, combinado a tarifas altas e a um ambiente regulatório mais hostil.
Ao mesmo tempo, a marca enfrenta tarifas mais elevadas nos Estados Unidos e uma certa relutância de consumidores ricos em algumas regiões em fazer compras de luxo de grande valor, além do impacto de mudanças tributárias no United Kingdom que vêm afastando bilionários.
Mesmo com esses ruídos, a fabricante mantém controle rígido de volumes para preservar sua capacidade de cobrar caro, e conseguiu reajustar preços em até 5% em alguns modelos depois que os EUA reduziram tarifas para carros da União Europeia de 27,5% para 15%.
Na frente tecnológica, a empresa reduziu a ambição de eletrificação anunciada anteriormente e reafirmou que os motores a combustão seguem no centro do portfólio, tratando o futuro EV como complemento, e não substituição total da gama atual.
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