Ferrari F40: motor, preço, fotos, detalhes, história

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Icônica, a Ferrari F40 foi um marco histórico para o fabricante de Maranello, que comemorou seus 40 anos e também criou um bólido provado pelo próprio Enzo Ferrari, sendo o último carro testado por ele.


Lançada em 1987, a F40 era um reflexo direto de onde a Ferrari mais se destacava, a Fórmula 1. Usando conceitos de carro de corrida, o bólido italiano foi o mais potente, rápido e caro da gama da marca.

Desenhada por Pininfarina e projetada pelo engenheiro-chefe da Ferrari, Nicola Materazzi, que chegou a desenvolver o Bugatti EB110, a F40 foi um carro emblemático em sua época.

Tendo motor central e tração traseira, a Ferrari F40 não era dada ao luxo, focando totalmente na performance e, nisso, ela não decepcionava.

Ferrari F40 – preço

Qual o preço de uma Ferrari F40?

Custando inicialmente US$ 400.000, a Ferrari previu apenas 400 unidades, porém, o sucesso do carro foi tamanho que foram feitas muitas unidades a mais.

Quantas Ferraris F40 foram produzidas?

Foram 1.315 exemplares construídos, sendo 213 específicos para o mercado americano.

Ferrari F40 – diferenciais

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Ainda que a Ferrari reivindicasse seus próprios números, a F40 provou ser realmente rápida e veloz nas mãos de revistas especializadas, que realizaram coisas como 0 a 100 km/h em 4,6 segundos e 317 km/h.

Uma das publicações alcançou 321 km/h e a Ferrari nunca conseguiu alcançar por ela própria, essa marca na F40.

Sucessora da 288 GTO, a F40 tinha formas bem expressivas e um volume que impressionava pelo formato bem largo e baixo.

Com a asa traseira fixa, onde a sigla F40 se apresentava em baixo-relevo, essa obra-prima da Ferrari tinha a personalidade de um carro da marca, com faróis escamoteáveis e luzes auxiliares em lentes quadradas.

Bem simples por dentro, a Ferrari F40 não tinha acabamento nas portas e o painel era tão simples quanto de um carro fora-de-série brasileiro.

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O volante de três raios era ainda mais simples, tal como a instrumentação completamente analógica e com mostradores auxiliares ao centro.

Difusores de ar circulares sob o painel pareciam os itens mais elaborados do interior da F40, assim como os bancos esportivos em forma de concha e tecido vermelho.

A alavanca com pomo redondo e base de alumínio com duplo “H”  também faziam parte do pacote e deixava a pilotagem mais desafiadora.

Os pedais também eram de alumínio e o túnel central era elevado, não tendo acabamento e construído em fibra de carbono.

A F40 também empregou partes feitas em kevlar e alumínio para reduzir peso e agregar valor ao produto.

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Para cortar peso, a Ferrari poliu tudo o ambiente para ter o mínimo possível e isso significou eliminar sistema de som, maçanetas, porta-luvas e acabamento em couro.

A Ferrari chegou a adicionar janelas deslizantes nas portas para cortar alguns quilos, mas isso foi somente nos primeiros 50 carros.

Depois, a marca adicionou janelas com abertura padrão, melhorando assim a circulação de ar e a comodidade a bordo.

Com aerodinâmica de 0,34 de cx, a F40 tinha grande efeito downforce para se manter presa ao chão.

Todas as unidades da Ferrari F40 saíram de fábrica com a cor “Rosso Corsa” e com direção à esquerda, que é o padrão mundial, porém, sete exemplares foram modificados.

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O lote foi convertido para direção à direita, a chamada “direção inglesa”, sendo enviado para o Sultão de Brunei.

Os carros foram modificados após terem sido construídos, diga-se de passagem. Até aí, a Ferrari lidava bem com o destino do carro, mas o sultão contratou Paolo Garella, gerente de produto da Pininfarina.

Isso tinha como objetivo modificar os sete exemplares da F40 para mudar-lhes a cor, potência e acabamento interno.

Com arquitetura envolvente, a F40 tinha um chassi de fibra de carbono com radiadores de água e de óleo estrategicamente posicionados para melhor captação de ar, assim como dutos para resfriamento do motor.

Na traseira, sobre o cofre do motor, parcialmente aberto, aberturas horizontais reduziam o enorme calor provocado pelo motor V8 2.9 com dois turbocompressores IHI.

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Tendo 478 cavalos e 58,6 kgfm, a Ferrari F40 já tinha injeção eletrônica, lembrando que o Lamborghini Countach da época podia ser comprado com carburadores no lugar de bicos injetores eletrônicos.

Ainda assim, não tinha conversor catalítico, o que só chegou ao modelo em 1990 por imposição das leis americanas.

Já os freios tinham sistema ABS e discos ventilados nas quatro rodas, sendo estas com pneus 235/45 ZR 17 ou 245/40 ZR 17 na frente, bem como pneus traseiros 335/35 ZR 17.

A suspensão de alumínio tinha sistema double wishbone na traseira, herdada da 288 GTO, assim como duplo braço triangular na frente.

Outro ponto interessante da F40 era que ela não tinha direção com assistência hidráulica, usando um sistema de cremalheira mais leve, para reduzir peso.

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Sem ar condicionado, os ocupantes da F40 tinha de lidar com enorme calor gerado pelo V8 de 90 graus, que ficava logo atrás dos bancos dos passageiros, ainda que houvesse uma parede de isolamento entre eles.

Com câmbio manual de cinco marchas, a Ferrari F40 misturava o carro comum de rua com o de competição, tendo ainda gerado uma série de corrida, chamada LM e havia ainda a série Competizione.

Nos dois casos, a produção da F40 continuou após o fim do carro regular. A F40 LM foi usada entre 1994 e 1996 em competições na Europa.

Já a F40 Competizione queria dar mais potência à LM, chegando assim a 700 cavalos.

Foram feitas 10 unidades a pedido de clientes, mas não oficialmente, sendo dois identificados como LM e oito como Competizione. Os carros mantiveram sua atuação nas pistas até 1996.

Ferrari F40 – detalhes

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A Ferrari F40 tinha frente rebaixada com faróis escamoteáveis, no melhor estilo dos anos 80, tendo ainda um conjunto ótico com lentes quadradas cobrindo faróis de neblina e repetidores de direção.

O capô integrado tinha duas entradas de ar em “Y” e logotipo do Cavalino Rampante. Com toda a parte superior da frente articulada, a F40 tinha para-choque com entradas de ar nas laterais e parte central.

Nas laterais, com um friso preto – que não separava o capô do chassi na frente – a F40 tinha ainda duas entradas de ar triangulares, com uma inferior para os freios e a superior, maior, para o motor.

As portas tinham maçanetas sobre o formato da folha e vinco da entrada de ar, bem como retrovisores com pescoço e pintura na cor do carro.

Na Ferrari F40, as rodas de liga leve eram de aro 17 polegadas com pneus 235/45 ZR 17 ou 245/40 ZR 17 na frente e 335/35 ZR 17 atrás.

Elas eram de cinco raios num desenho bem clássico, bem como pintura branca. O logotipo da Ferrari também se apresenta nos para-lamas dianteiros.

Atrás, a F40 tinha uma asa fixa com bordas arredondados e a sigla F40 em baixo-relevo, tendo ainda vincos na parte superior.

A traseira tinha fundo preto com quatro lanternas circulares, sendo duas com piscas e luzes de ré, além das principais.

Pequenas saídas de ar se apresentavam nas extremidades da traseira, enquanto o para-choque tinha escape central triplo, duas luzes de neblina e difusores de ar.

Com saídas de ar dos freios dianteiros junto às portas, a F40 tinha várias aberturas para resfriamento, inclusive duas sobre a traseira e outras duas junto às vigias traseiras.

A vigia traseira de acrílico e centralizada tinha várias aberturas para dissipar o calor do motor, enquanto as janelas eram grandes, refletindo bem o estilo daquela época, inclusive com quebra-ventos falsos.

Por dentro, a Ferrari F40 era puramente rústica, como um carro fora-de-série, tendo painel retilíneo revestido em tecido e com um compartimento parafusado no lado do passageiro.

Tinha difusores de ar circulares para o para-brisa, que pareciam ter saído de algum carro da Fiat. Aliás, é notório que muitos carros da marca tinham peças de Fiat, Alfa Romeo e Maserati.

Simples ao extremo, o cluster tinha velocímetro analógico até 360 km/h e conta-giros até 10.000 rpm, com a faixa vermelha começando em 7.750 rpm.

Além do medidor de pressão dos turbos, havia ainda um medidor de temperatura da água, porém, o nível de combustível não ficava na instrumentação principal.

Ao centro ao painel, ficavam temperatura e manômetro de óleo, bem como o nível de combustível. Os botões da ventilação e aquecimento eram ridiculamente simples, provavelmente de origem Fiat.

Um detalhe interessante da F40 é que as versões americanas tinha o nome “Catalizzata” fixado bem no centro do velocímetro e sobre a lente do mesmo. Isso evidentemente devia atrapalhar a visão.

O local adicionado pela Ferrari para avisar o motorista de que o carro tinha catalisador, parecendo mais um protesto silencioso contra a calibração original da Ferrari na Europa, que não contemplava o item.

As primeiras 50 F40 tinham vidros deslizantes, que foram trocados por janelas convencionais no acionamento.

Então, em modelos mais recentes, haviam manivelas para descer os vidros manualmente. O túnel reto tinha um seletor de duplo “H” com alavanca de aço e pomo de alumínio exclusivo.

O freio de mão tinha acabamento em couro, enquanto o volante simples tinha o logotipo e mais nada, com seus três raios como uma direção de buggie.

A buzina ficava na haste, enquanto os pés junto aos pedais de alumínio. Já os bancos em tecido especial faziam parte do pacote com cor vermelha e formato em concha.

Esses assentos eram feitos de fibra de carbono para reduzir o peso do carro e eram bem envolventes. Os cintos eram de três pontos, mas deveriam ser de quatro, dada a proposta do modelo.

Havia um pequeno compartimento de bagagem com 70 litros, além de um tanque com 120 litros de gasolina. Não havia teto solar, nem ar condicionado ou direção hidráulica.

A F40 não tinha nem acabamento nas portas, onde havia um buraco onde se observava a cordinha para puxar e abrir a porta por dentro.

Ferrari F40 – versões

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  • Ferrari F40 LM
  • Ferrari F40 Competizione

Ferrari F40 – motor

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O motor da Ferrari F40 ficava em posição central e com transmissão voltada para a traseira.

Com duas captações de ar nas laterais do conjunto, o V8 de 90 graus da Tipo F120, designação interna da F40, era realmente enorme.

Mesmo com 2.9 litros, mais precisamente 2.936 cm³, o V8 tinha quatro comandos de válvulas e quatro válvulas por cilindro, tendo ainda injeção eletrônica e o catalisador, posteriormente.

Todos os comandos eram acionados por correia dentada e a refrigeração era reforçada por dois radiadores, tendo ainda dois intercoolers para os turbocompressores IHI japoneses.

Construído em alumínio, o V8 2.9 da F40 era uma usina com 478 cavalos a 7.000 rpm e 58,8 kgfm a 4.000 rpm, sempre abastecido com gasolina.

Ele tinha quatro bobinas duplas para as velas, estranhamente o mesmo arranjo que a Fiat deu em alguns de seus motores no Brasil.

Apesar da proposta, o câmbio tinha embreagem monodisco a seco, enquanto a caixa de mudanças manual tinha cinco marchas.

Era um sistema realmente simples, ainda que robusto para aguentar a enorme carga de força. O engate era feito por um sistema de cabos de aço.

Ferrari F40 – desempenho e consumo

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A Ferrari F40 era um bólido de alta performance, que oficialmente ia de 0 a 100 km/h em 4,7 segundos e com máxima de 320 km/h, contudo, revistas de época e testes independentes obtiveram outros números.

A F40 chegou a ir até 100 km/h em 4,1 segundos e alcançou 324 km/h nessas condições. Obviamente as condições de pista e clima, incluindo vento, podiam influenciar no resultado.

No entanto, a F40 que mais andava era a LM, feita para as piscas e que alcançou 367 km/h.

Já o consumo da F40 era estimado em 4,0 km/l na cidade e 7,0 km/l na estrada, sempre em velocidade de cruzeiro.

Por isso, seu tanque era de 120 litros para garantir uma autonomia minimamente aceitável. Assim, a autonomia em estrada, teoricamente, podia ser de 840 km, o que era muito bom.

Na cidade, também teoricamente, a F40 poderia rodar 480 km. Claro que, apertando o pedal com vontade, o consumo devia cair pela metade ou até mais.

Ferrari F40 – história

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A Ferrari F40 foi um desenvolvimento para substituir a 288 GTO e também para comemorar os 40 anos da marca.

A Ferrari deu enorme importância para a F40, especialmente adiantando seu lançamento em dois meses.

Isso foi mais para agradar Agnelli, o chefão da Fiat, que queria toda a pompa para o lançamento mundial do Alfa Romeo 164 em 1987, no Salão de Frankfurt.

Atendido, o próprio Enzo Ferrari apoiou a antecipação e participação da imprensa no evento.

Depois que terminou sua produção, a Ferrari ainda manteve as versões Competizione e LM por mais dois anos.

Em 1992, a Ferrari despediu-se oficialmente da F40 após 1.315 carros feitos e sua missão cumprida, dando assim lugar à Ferrari F50, mas somente três anos depois, por causa das séries LM e Competizione.

Ferrari F40 – fotos

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.