
O mercado automotivo chinês vive uma ressaca dos descontos agressivos, e agora Pequim decidiu intervir de forma dura para tentar encerrar a guerra de preços.
A Administração Estatal para Regulação de Mercado estabeleceu diretrizes finais que proíbem montadoras de vender veículos por valores inferiores ao custo total de produção, incluindo gastos industriais, administrativos, financeiros e comerciais.
Ao adotar um conceito mais amplo de custo, o órgão fecha a brecha que permitia campanhas de expansão a qualquer preço, movimento visto internamente como uma perigosa “corrida para o fundo do poço”.
As novas normas também vedam acordos de fixação de preços entre montadoras e fornecedores, buscando impedir combinações que distorçam a concorrência em um setor já altamente pressionado.
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Outro ponto sensível é a relação com as concessionárias, já que as marcas ficam proibidas de empurrar programas de bônus e rebates que obriguem revendas a aceitar vendas com prejuízo direto.
A guerra de preços, que se arrasta há anos, remodelou o tabuleiro automotivo chinês, impulsionando gigantes como BYD e Tesla e deixando montadoras menores à beira do colapso financeiro.
Esse ambiente ultra-competitivo contaminou toda a cadeia de suprimentos, com fabricantes exigindo descontos adicionais de fornecedores e alongando prazos de pagamento, prática que também passou a ser alvo da vigilância regulatória.
Apesar das advertências recentes de que poderiam enfrentar penalidades severas caso mantivessem os cortes agressivos, muitas montadoras iniciaram o ano renovando promoções e derrubando tabelas mais uma vez.
Em paralelo ao aperto sobre preços, a Associação Chinesa de Carros de Passageiros divulgou que as vendas no varejo caíram 13,9% em janeiro na comparação anual, reforçando o clima de tensão no setor.
O recuo foi ainda mais forte entre os veículos de nova energia, categoria que agrupa EVs e híbridos plug-in, onde as entregas encolheram 20% no mesmo período analisado.
O governo também aproveitou a versão final das regras para ajustar pontos de uma minuta publicada no fim do ano passado, refinando a atuação sobre o comércio digital de veículos.
Plataformas online de compra de carros passam a ser tratadas oficialmente como monitores em tempo real do mercado, com papel ativo no rastreamento de ofertas consideradas suspeitas.
Esses serviços digitais serão incentivados a emitir “alertas de risco duplo”, avisando simultaneamente consumidores e autoridades sempre que um anúncio trouxer um veículo por preço anormalmente baixo.
Outro eixo da regulação mira os chamados veículos definidos por software, obrigando montadoras a avisar com antecedência quando períodos de uso gratuito de funções digitais estiverem prestes a acabar.
As empresas também ficam impedidas de transformar, depois da venda, recursos que não foram claramente mencionados na hora da compra em assinaturas pagas ou serviços extras inesperados.
A mensagem é clara: nada de testar discretamente funções no carro e, mais tarde, trancá-las atrás de uma mensalidade sem que o cliente tenha sido informado antes.
Ao combinar limites para descontos, regras para plataformas digitais e proteção contra “pegadinhas” de software, Pequim tenta reordenar um mercado em que a inovação veio acompanhada de excessos.
Ainda assim, com vendas em queda e capacidade instalada elevada, muitas montadoras podem continuar testando o limite das novas normas, em busca de volume a qualquer custo controlado.
O desafio do governo chinês agora será aplicar essas regras com firmeza suficiente para conter abusos, sem sufocar completamente a competição que transformou o país em potência automotiva global.
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