
O fim abrupto do crédito fiscal federal para carros elétricos nos Estados Unidos transformou dezembro de 2025 em um banho de água fria para o mercado de EVs.
No último mês do ano, os registros de elétricos despencaram 48% em relação a dezembro de 2024, somando apenas 75.427 unidades e derrubando a fatia dos EVs de 9,9% para 5,3%.
Quando se olha o ano cheio, o estrago fica mais claro: os registros de EVs caíram 0,4%, para 1,3 milhão de unidades, marcando o primeiro recuo em pelo menos uma década.
Ao mesmo tempo, o mercado total de veículos leves cresceu 2,2%, para 16,25 milhões de unidades, o que mostra que os americanos não deixaram de comprar carros, apenas evitaram os elétricos.
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Na prática, o boom elétrico perdeu brilho justamente quando parecia imparável, enquanto os modelos a combustão recuperaram espaço e os híbridos se consolidaram como solução intermediária.
Os sinais de alerta não surgiram do nada, já que o crescimento, antes em ritmo de três dígitos, havia desacelerado para 11% em 2024 e para 4,6% no primeiro semestre de 2025.
A virada veio em julho, quando foi anunciada a extinção do crédito federal de US$ 7.500, cerca de R$ 39 mil, válida até o fim de setembro, disparando uma corrida às concessionárias.
As vendas foram puxadas artificialmente no terceiro trimestre por compradores tentando aproveitar o benefício, mas o quarto trimestre virou um deserto assim que o subsídio desapareceu.
O preço continua sendo o grande obstáculo, com os EVs ainda caros para o público médio, enquanto os pioneiros já foram atendidos e o restante teme recarga difícil e autonomia limitada.
Nesse vácuo, os híbridos surgem como porto seguro, unindo alguma eletrificação com a previsibilidade da gasolina, enquanto mercados de outros países ainda mantêm forte crescimento dos EVs.
Nem a Tesla escapou do baque: os registros da marca caíram 6,8% em 2025, para 570.418 veículos, com participação recuando 3,1 pontos, para 44,9% do segmento.
O Model Y manteve a coroa, mas Cybertruck e Model 3 sofreram quedas pesadas, justamente quando Model S e X se aproximam da aposentadoria e o suposto compacto acessível saiu dos planos.
Se 2025 já foi desafiador, a falta de produtos realmente novos deixa a Tesla exposta em um cenário em que até fãs começam a olhar para alternativas mais frescas.
Ford teve um dezembro ainda mais traumático, com tombo de 61%, enquanto a Cadillac virou exceção positiva graças a lançamentos recentes, justamente aquilo que falta à Tesla.
Rivian e Hyundai também registraram quedas, deixando claro que o problema é de mercado, não de uma única marca, embora a Rivian aposte no novo SUV R2 menor para reacender o interesse.
Analistas não veem o fim dos EVs, mas falam em uma nova fase, bem menos eufórica, com recuperação lenta à medida que preços caem e montadoras ampliam descontos e incentivos próprios.
A infraestrutura de recarga avança, alguns modelos se aproximam da paridade de preço com carros a combustão e uma nova leva de elétricos mais baratos deve redesenhar o jogo nos próximos anos.
O boom pode ter acabado, mas a transição elétrica nos EUA entrou em sua fase adulta, na qual o segmento terá de se provar sem depender de estímulos bilionários permanentes.
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