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Fusca: A história do modelo icônico que deu origem à Volkswagen

Você já ouviu falar do Escarabajo? Huevito? Maggiolino? Bug? Beetle? Não?! Mas e Fusca? Sim, esses são apenas alguns sinônimos de um dos carros mais populares de toda história. Mas há quem pense que a história desse pequeno é só glamour.

Índice


A história da criação do Fusca

Ferdinand Porsche era um austríaco obcecado pela ideia de criar um carro para o povo. Foi um dos maiores engenheiros automotivos da história. Criou um escritório de design automotivo e um de seus clientes era Auto Union Werk, conhecida hoje como Audi, e a fabricante de motores Zündapp.

Apesar de ter sido o homem que transformou o nome Porsche em sinônimo de velocidade e esportividade, Ferdinand Porsche nunca projetou um modelo Porsche. Isso porque houve mais três gerações, para ser mais exato.

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Tempos mais tarde, um famoso ditador alemão ascendia no poder.

Os dois discutiam o projeto do Volks Wagen, que em alemão significa carro do povo. A história desse pequeno combina com a modernização da Alemanha e de sua recuperação econômica. O governo alemão se interessou pelo projeto e efetuou um investimento de 200 mil marcos para a fabricação de três protótipos para mostrar ao mundo a superioridade tecnológica do país.

O ditador exigiu algumas alterações no projeto original, que deveriam atender as necessidades do povo alemão. O carro deveria carregar dois adultos e três crianças (uma tradicional família alemã da época). Deveria alcançar e manter a velocidade média de 100 km/h, consumo maior que 13 km/l, refrigerado a ar e preço inferior a mil marcos imperiais.

É lançado o Fusca

Foi lançado em 1935, com todas exigências cumpridas. Podia ser comprado por quase todos, ao preço de 990 marcos. Equipado com motor refrigerado a ar, sistema elétrico de seis volts, câmbio seco de quatro marchas, que até então só se fabricavam carros com caixa de câmbio até 3 marchas.

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A partir daí houve constantes evoluções. Começou a ser equipado com sistema de freios a tambor, caixa de direção tipo “rosca sem fim”, modificações estéticas como quebra vidro, saída única de escapamento, entre outras.

No ano de 1936, o modelo já havia sido reformulado, o Volkswagen era equipado com duas pequenas janelas traseiras. Já em 1938, a fabricação começou a ser feita em série.

A série 38 foi apresentada em três variações: sedã, sedã com teto solar e conversível. O motor já era boxer, com 24 CV, pesando 750 quilos.

 

 

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4.0.1

Fusca na guerra

Com o início da Segunda Guerra Mundial, o modelo teve que se apresentar nas Forças Armadas Alemãs, virando veículo militar, e teve até modelo anfíbio. Nasceu então Kübelwagen, Schwimmwagen e Kommandeurwagen, que eram utilizados nos campos batalha. A mecânica mudou para atender as necessidades dos combatentes. Virabrequim, pistões, válvulas, motor de 1.131 CC e 26 CV.

Com o término da Segunda Guerra Mundial, a fábrica que estava sendo construída em Hannover (alguns afirmam que a fábrica estava sendo construída em Fallersleben), foi quase destruída completamente. A fabricação retomou lentamente pelas mãos do major inglês Ivan Hirst, que decidiu “adotar” o modelo.

Hirst se manteve à frente da fábrica até 1949, àquela altura a Volkswagen já tinha uma rede de concessionárias e exportava seu carro para diversos países, incluindo Inglaterra, e mais tarde, Estados Unidos. Logo em seguida, o governo recuperou o projeto, deixando no comando de Heinrich Nordhoff.

Retomando sua produção, o Volkswagen passou a ser utilizado em serviços de primeira necessidade, escassos naquela época, como Correios, atendimento médico, entre outros.

Vendas galopantes

Em 1946, já existia cerca de 10 mil Volkswagen sedans em circulação. Em 48, o número subiu para 25 mil, sendo 4.400 para exportação. Foi em 1949 que o modelo conquistou seu próprio mercado nos Estados Unidos. Neste ano já era 50 mil modelos fabricados.

Em 1950 passou a ser oferecido sedã com teto solar dobrável e em 1951 o modelo já era exportado para 29 países, atingindo a produção de 50 mil unidades. Em 1952 recebeu quebra-vento, transmissão sincronizada e rodas de 15 polegadas.

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O modelo já era exportado para 86 países e chegou a 500 mil unidades produzidas. Foi em 1955 que o modelo recebeu lanternas traseiras, e alcançou 1 milhão de unidades. Em 1957 ganhou vidro traseiro maior e novo painel de instrumentos. Dois anos mais tarde, o modelo já tinha motor 1.2 CC de 34 CV, cambio de 4 marchas, luzes de direção no lugar das setas e porta-malas maior.

Melhoras ao passar dos anos

Foi em 1956 que o modelo Standard trouxe o motor 1.2 e o de exportação ganhou motor de 1.3 e 40 CV. No ano seguinte, já era oferecido para o Volkswagen padrão, quando foi lançado a opção de motor de 1.5 e 44 CV.

Passou a ser mais seguro a partir de 1967, com coluna de direção que não invadia o habitáculo em caso de acidente e cinto e três pontos, passando a ser oferecido com câmbio automático. Em 72, o Volkswagen alcançou a marca de 15 milhões de modelos produzidos, superando o Ford T.

Só na Alemanha havia cinco fábricas produzindo o modelo: Wolfsburg, Hannover, Kassel, Braunschweig e Emden. Com a chegada de novos concorrentes, a marca já vinha considerando a introdução de novos modelos.

Deixou de ser fabricado em sua fábrica matriz (Wolfsburg) e quatro anos mais tarde, a última fábrica da Volkswagen na Alemanha (Edmen), deixa de produzir o modelo. Para atender a grande demanda europeia, restava a fábrica na Bélgica.

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Os novos números do modelo foram alcançados no México, em 1981, com a marca de 20 milhões de unidades produzidas. Foi no mesmo país que encerrou sua produção.

Fusca no Brasil

Começou a ser fabricado em solo nacional pela Brasmotor, em 1950.

Em 1953, a Volkswagen se estabeleceu no Brasil e assumiu a montagem do modelo. Em novembro de 1957 estavam prontas suas instalações no município paulista de São Bernardo do Campo.

Chamado de “besouro” ou “fusquinha”, o primeiro modelo apresentava o mesmo motor da Kombi: quatro cilindros opostos dois a dois, refrigerado a ar, motor 1.1 e 36 CV, atingindo 110 km/h e 10 km/l.

Cambio de 4 marchas à frente (primeira não sincronizada), tração traseira, suspensão dianteira e traseiras independentes com barras de torção, estabilizador e amortecedor de dupla ação e freios hidráulicos nas quatro rodas.

Recebeu lavadores automáticos no para-brisa, onde a água saía por uma peça cromada, apelidada de “brucutu”, frequentemente furtada pelos jovens e transformando em anel.

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Em 1961, o sistema de sinaleiros (pisca-pisca) deixa de ser uma barra na coluna lateral central (famosas “bananinhas”) para as lanternas traseiras, com as luzes de freio. E não estranhe caso não encontrar o marcador de combustível em modelos anteriores a 1961, ano em que o carro ganhou novas lanternas.

O teto solar foi um opcional oferecido em 1965, porém, não teve tanto sucesso, sendo popularmente chamado de “Cornowagen”. Nesse mesmo ano foi lançado uma versão pra lá de peculiar, que ficou conhecida como “pé-de-boi”.

As versões já não estavam à disposição no ano seguinte, tornando-se modelos raros.

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“Cornowagen” – Campanha Volkswagen.

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“Pé-de-boi”.

O câmbio deixa de ser “seco” para ter quatro marchas sincronizadas, que existem até hoje. Já em 1967, o Fusca passa por uma importante mudança. Foi equipado com motor 1.3, rendendo 38 CV, mesmo ano que adotou o sistema elétrico de 12 volts. Os aros das rodas receberam furos para melhor ventilação do sistema de freios.

Lá no início de 1970, o designer Herbeth Shäfer criou um projeto do Fusca com quatro portas, novo capô e  novos para-brisas. Também modificou a tampa do motor, para-choque maior e mais seguro. Ganhou mais folego com a opção de propulsor de 1.5 e 44 CV.

Ficou conhecido como “Fuscão”, oferecendo opcionais freios à disco nas rodas dianteiras. Seu interior foi a principal mudança, recebendo acabamento do painel imitando madeira. Contudo, foi produzido em pequena escala e atualmente existem raríssimos modelos espalhados no mundo.

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Mas em 1974 foi seu ano de sucesso. No Brasil nunca se vendeu tanto. Havia chegado com um propulsor de 1.6, que com dois carburadores rendia 54 CV. Apelidado popularmente de “Bizorrão”, ganhou mais esportividade.

O capô traseiro trazia um adorno de plástico e rodas aro 14, mais largas. Seu interior ganhou novos instrumentos: volante esportivo, conta giros e bancos anatômicos. Sua produção nesse ano foi de aproximadamente 239.393 unidades.

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Em 1975, uma versão mais bem acabada do motor 1.3, famoso 1300-L foi lançada. O modelo 1.6 passou a ter alavanca de câmbio mais curta e filtro de ar do carburador de papel. Em 1978, o bocal do tanque foi transferido de dentro do porta-malas para a lateral do veículo.

As lanternas traseiras ganharam nova forma, em 1979, (em uma época onde ele brigava com o Fiat 147) que renderam ao Fusca um novo apelido, “Fafá” (de Belém).

Fusca nos anos 80

O primeiro Fusca à álcool chegou em 1980.

O “Super-Fuscão” some em 1983, quando foi adotado oficialmente o nome Fusca. Foram poucas inovações como caixa de câmbio “Life-Time” (que dispensa troca de lubrificante periodicamente), ignição eletrônica e bomba de combustível com proteção anticorrosiva.

Quando menos se espera, em 1984 tudo muda. Pistões, cilindros e cabeçotes redesenhados integram o novo 1.6. Novas câmaras e combustão, 46 CV e torque máximo de 10,1 kgf/m. equipavam a versão. Novos freios à disco na dianteira e barra estabilizadora traseira redesenhada para uma melhor performance aerodinâmica.

Mas em 1986 (temporariamente) acaba-se a carreira do Fusca.

Ainda que o México continuasse a produzi-lo, sua produção no Brasil teve um fim. O retorno do Fusca aconteceu em 1993, chamado popularmente de Fusca Itamar, sua produção durou até 1996 quando foram fabricados os últimos 1.500 modelos, batizados de “Fusca Série Ouro”.

Com estofamentos do Pointer GTI, desembaçador traseiro, faróis de milha, painel com fundo branco e vidros verdes (75% transparente). Os últimos proprietários dos Fuscas “novos” tem seus nomes guardados em um “Livro de Ouro da Volkswagen”.

Em 1994 a Volkswagen já estava realizando estudos sobre o novo design junto com sua filial norte-americana.

New Beetle

Em 1997, o Fusca já ganhava nova atualização no visual e mudava de novo, sendo batizado de New Beetle – inclusive no Brasil. O modelo mais popular do Fusca foi produzido no México até 2003, onde ficou conhecido como “Vocho”.

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Com linhas inspiradas pela versão original e construído sobre uma plataforma moderna, com tração dianteira e motor com refrigeração liquida, o novo modelo conquistou imediatamente um grande número de fãs, alcançando mais de 1 milhão de unidades até 2010.

Uma proposta moderna e inovadora, com design ainda mais próximo do Fusca chegou ao Brasil em 2012. A primeira versão do Fusca concebida inteiramente no século 21. Adotou linhas esportivas e tendo a dirigibilidade seu ponto alto, o Novo Fusca se destacou pela segurança, eficiência no consumo e baixo índice de emissões.

Adotou o 2.0 TSI de 211 CV no Fusca no mundo inteiro. Oferece a potência máxima a partir e 1.700 rpm, torque máximo de 280 Nm. Com câmbio DSG de dupla embreagem, tem velocidade máxima de 224 km/h e acelera de 0 à 100 km/h em 6.9 segundos.

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Se alguém colocar o primeiro Fusca e o Novo Fusca juntos em um mesmo lugar e iluminar suas linhas de teto, observando suas silhuetas, verá linhas quase idênticas na parte traseira.

Nitidamente, o Novo Fusca traz referencias de estilo fundamentais de carro original.

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O modelo não deixou de evoluir, manteve sempre suas características básicas: motor traseiro, refrigeração a ar e sua inconfundível aparência, com para-lamas salientes e estribos laterais.

Suas qualidades deu origem ao Grupo Volkswagen, tornando-se parte da personalidade da marca que continuam inspirando a criação e produção de modelos inovadores, resistentes, econômicos e de alta qualidade alemã.

Dia do Fusca

Mundialmente o dia do Fusca é comemorado em 22 de junho, data em que Ferdinand Porsche assinou o contrato que deu início ao desenvolvimento e fabricação do modelo, em 1934.

Com mais de 3 milhões de unidades produzidas no Brasil, o Fusca se torno um ícone nacional. Ao mesmo tempo em que exemplares bem conservados ou restaurados são disputados por colecionadores, dezena de milhares continuam sendo usados no dia a dia como meio de transporte ou ferramenta de trabalho.

O Fusca foi o carro mais vendido no Brasil por 24 anos consecutivos, marca que foi superada apenas em 2011, por outro modelo Volkswagen: o Gol.

Mais de uma geração de motoristas brasileiros aprenderam a dirigir em um Fusca e optaram por ele ao adquirir seu primeiro carro. Com certeza ele é um dos carros que, se estiver em bom estado, é só abrir a boca que você vende.

Referências

http://vwbr.com.br/ImprensaVW/Release.aspx?id=1c70849d-c3f2-4917-b28e-6806e9c71afa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_Fusca

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