
No momento em que o mercado chinês de carros começa a falar em “inverno dos EVs”, a disputa entre as montadoras locais ficou ainda mais delicada e imprevisível.
Enquanto a demanda esfria com o fim de incentivos e um feriado de Ano Novo Lunar mais longo que o normal, algumas marcas despencam, enquanto outras conseguem apenas se manter no zero a zero.
É nesse cenário que a Geely superou a BYD em vendas por dois meses consecutivos, um movimento raro que pressiona a antiga campeã dos elétricos a reagir rápido.
Nos dois primeiros meses do ano, a Geely vendeu cerca de 76 mil veículos a mais que a rival, que viu suas entregas desabarem 36% no período, segundo comunicados oficiais.
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A última vez em que a companhia fundada por Li Shufu manteve vantagem sobre a BYD por pelo menos dois meses seguidos foi em 2022, o que mostra a importância simbólica da virada.
Apesar de estáveis, as vendas da Geely parecem fortes quando comparadas às quedas de dois dígitos registradas por BYD, Xpeng e outras marcas que vinham em ritmo acelerado.
A desaceleração não acontece no vácuo: a retirada gradual de subsídios, combinada ao calendário bagunçado pelo feriado prolongado, prejudicou o fluxo normal de entregas em toda a indústria.
Ao mesmo tempo, a liderança crescente da Geely é atribuída a uma grande reestruturação de marcas, que simplificou o portfólio e destacou modelos de alto volume, como o compacto Xingyuan.
Esse hatch se tornou o carro mais vendido da China no último ano, consolidando a estratégia da empresa de apostar em produtos de alto apelo em meio à guerra de preços.
Do outro lado, a BYD, que no ano passado ultrapassou a Tesla como maior fabricante global de EVs, enfrenta o desafio de administrar um tombo doméstico justamente quando os rivais encostam em tecnologia.
Em dezembro, o CEO Wang Chuanfu admitiu que a vantagem tecnológica da companhia diminuiu, já que concorrentes correram para alcançar e reduziram o diferencial que ajudava a puxar vendas.
Por isso, o lançamento de novas tecnologias de EVs previsto para esta semana é visto como crucial, com investidores esperando avanços em recarga e assistentes de condução para destravar a demanda reprimida.
Apesar da fraqueza em casa, as exportações seguem como ponto positivo para a BYD, com alta de mais de 50% e 201.082 carros enviados ao exterior nos dois primeiros meses do ano.
A Geely também vem forte lá fora, com 181.891 unidades exportadas no mesmo intervalo, mantendo a disputa acirrada agora em escala global e não apenas dentro da China.
Como os primeiros meses costumam ser voláteis por causa do Ano Novo Lunar, o mercado agora observa de perto o comportamento da demanda em março.
Para estimular vendas sem cortes diretos de tabela, Tesla, BYD, Nio, Xiaomi e outras montadoras estão oferecendo financiamentos de sete a oito anos, com juros baixos ou até zero.
Essas condições ajudam a manter volume no curto prazo, mas tendem a comprimir ainda mais margens já apertadas em meio à guerra de preços que domina o mercado chinês.
O risco é que o dinheiro destinado a segurar vendas acabe desviando recursos de pesquisa, desenvolvimento e expansão internacional, justamente as áreas que definirão quem sobreviverá ao “EV winter”.
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