
Poucas fabricantes chinesas terminam um ano tão eufóricas quanto a Geely Auto, que decidiu transformar um balanço recorde em um ultimato ao mercado em 2026.
A ambição foi colocada na mesa em 18 de março de 2026, quando a empresa afirmou que quer liderar as vendas domésticas na China no próximo ano.
Para isso, a Geely precisaria superar o patamar de aproximadamente 3,55 milhões de veículos vendidos pela BYD no mercado chinês em 2025, segundo executivos na apresentação.
No papel, a meta oficial da Geely para 2026 é vender 3,45 milhões de veículos no mundo, embora metas internas apontem para um foco ainda mais agressivo na China.
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O histórico recente dá sustentação ao discurso, porque em 2025 a Geely elevou sua meta anual de 2,71 milhões para 3 milhões de unidades e atingiu o objetivo.
A receita total reportada para 2025 foi de 345,2 bilhões de yuans (R$ 261 bilhões), alta de 25% na comparação anual.
O lucro líquido core atribuível aos acionistas chegou a 14,41 bilhões de yuans (R$ 11 bilhões), crescimento de 36% em relação a 2024.
No caixa, a companhia terminou 2025 com 68,2 bilhões de yuans (equivalente a R$ 52 bilhões), avanço de 46% sobre o ano anterior.
Parte do salto, segundo a própria empresa, vem de uma estratégia premium que ganhou força com a Zeekr, tratada como vitrine de margem e tecnologia.
A Geely destacou o Zeekr 9X como caso fora da curva, citando margem de lucro de 40% e impacto direto na margem bruta, que foi a 16,9% no 4º trimestre de 2025.
No ano cheio, a margem bruta ficou em 16,6%, e a fabricante usou esse contraste para defender que os modelos mais caros estão puxando a média para cima.
Como termômetro de demanda, um executivo afirmou que o recém-lançado Zeekr 8X passou de 30.000 pedidos após dois dias de pré-venda.
Fora da China, a Geely também mira alto: a meta oficial de 2026 é 640.000 unidades, mas o objetivo interno citado nos bastidores seria 750.000 veículos.
O plano inclui levar a rede internacional de concessionárias para mais de 1.300 pontos e explorar sinergias do grupo Geely Holding com Volvo, Lotus e Smart.
Entre os movimentos, a empresa quer exportar modelos como Galaxy E5 e Starship 7, acelerar na Europa a gama da Lynk & Co 08, 01 e Z20 com recursos da Volvo e lançar o Zeekr 7X na Coreia do Sul no primeiro semestre de 2026.
Na frente de serviços, a subsidiária Haohang Energy diz que pretende instalar mais de 50.000 estações de recarga ultrarrápida em nível de megawatt nos próximos cinco anos.
Em produtos, a Geely cita reestilizações como a do Zeekr 001 com pico de recarga de até 2.039 cv, enquanto o debate interno do setor olha para a diferença de estratégia: a BYD só vende EVs, a Geely ainda lucra bem com carros a combustão.
Essa vantagem “mista” apareceu em fevereiro, quando o Starray (Boyue L) foi o SUV a combustão mais vendido da China, atrás apenas do Tesla Model Y e do Xiaomi YU7.
No comentário editorial, a ressalva é direta: aqui “Geely” significa Geely Auto, não a Geely Holding, que também reúne marcas como Volvo, Lotus e Proton além da própria Geely Auto.
Com a BYD supostamente mirando 5 milhões de veículos no ano e exportando cada vez mais, inclusive com fevereiro em que exportou mais do que vendeu no mercado doméstico, o cenário abre espaço para a Geely sonhar com a liderança chinesa em 2026.
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