Gigante alemã de auto peças ZF recua do “tudo elétrico”, abraça híbridos e carros a combustão e usa a mudança para tentar escapar de rótulo

zf fabrica
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Enquanto montadoras recuam em silêncio dos planos mais agressivos de eletrificação, alguns fornecedores começam a encontrar oportunidade em meio ao caos provocado pela transição lenta aos EVs.

É o caso da alemã ZF, que está abandonando a ideia de focar prioritariamente em componentes para EVs e passa a tratar com o mesmo peso peças para híbridos e veículos a combustão.

Segundo o diretor financeiro Michael Frick, essa mudança de rota já melhora as condições de refinanciamento e ajuda a equilibrar um balanço pressionado por dívidas elevadas e margens em queda.

A empresa, terceira maior fornecedora global de componentes e parceira de Ford, Volkswagen e BMW , enfrenta compromissos de refinanciamento superiores a R$ 79,4 bilhões até o fim da década.

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O aperto veio em um cenário de juros em disparada, que encareceu emissões de dívida e levou a ZF a anunciar cerca de 14 mil cortes de postos de trabalho, inclusive na divisão de EVs.

Frick afirma considerar o pico de juros e spreads como fenômeno temporário, mas admite que a realidade da demanda por EVs obrigou o grupo a repensar totalmente sua estratégia de propulsão.

A própria indústria ilustra o erro de cálculo, com Stellantis, Ford e General Motors registrando baixas e provisões que somam aproximadamente R$ 135,6 bilhões ligadas a revisões de planos para EVs.

Nesse ambiente, a procura por modelos híbridos cresce, impulsionando a venda de transmissões e outros componentes da ZF voltados a powertrains mistos, que continuam relevantes na transição.

Na Europa, a demanda por híbridos plug-in avançou cerca de um terço no ano passado, reforçando a tese de que a migração total para EVs será bem mais lenta que o discurso oficial.

O reequilíbrio do portfólio faz parte de um pacote mais amplo de redução de endividamento, depois que a classificação de risco da ZF caiu para abaixo do grau de investimento.

Boa parte da dívida vem de duas grandes aquisições somadas em torno de R$ 103,6 bilhões, feitas para reforçar a presença em tecnologias para EVs e veículos definidos por software.

Há sinais de alívio recente: a última emissão de bônus em euros saiu a uma taxa de 5,5% ao ano, abaixo dos 7% pagos em títulos com vencimento em 2025.

Nos últimos 12 meses, a companhia reduziu seu endividamento em algumas centenas de milhões de euros e trabalha para recuperar o grau de investimento, de olho em custos menores de capital.

Com algo próximo de R$ 36,6 bilhões em liquidez, a ZF pretende recomprar grande parte dos papéis que vencem em 2027, usando o caixa gerado pelas operações para cobrir o restante.

Em dezembro, a empresa vendeu a divisão de assistência ao motorista para a Harman, controlada pela Samsung, em uma transação de cerca de R$ 9,2 bilhões.

A companhia ainda estuda alternativas para outras unidades, como a possível venda da Lifetec, a busca de parceiros em trechos da operação de powertrain e a monetização do negócio de energia eólica.

Outra aposta é o segmento de defesa, onde a ZF pretende dobrar a participação, ainda pequena, até que essa área responda por aproximadamente 1% da receita em 2028, complementando a travessia rumo aos EVs.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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