GM paga fortuna em ação coletiva a donos de seus carros mas advogados ficam com 99,88% do valor total

gm bolt
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O Chevrolet Bolt foi lançado como a promessa da General Motors para democratizar os carros elétricos, mas acabou marcado como um dos maiores fracassos da era dos EVs.

Em vez de liderar a eletrificação popular, o modelo se envolveu em sucessivos recalls por risco de incêndio, destruindo sua imagem antes mesmo de conquistar o grande público.

Agora, anos depois dos primeiros incidentes, a GM finalizou um acordo judicial para encerrar a principal ação coletiva movida por proprietários do Bolt nos Estados Unidos.

No entanto, os maiores beneficiados dessa indenização milionária não são exatamente os consumidores prejudicados.

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O processo foi originado após a NHTSA, agência de segurança viária dos EUA, abrir uma investigação em 2020 sobre diversos casos de incêndios espontâneos envolvendo o Bolt.

Várias ações foram então ajuizadas contra a GM, sendo posteriormente unificadas em um processo coletivo, cuja conclusão acaba de ser homologada pela Justiça.

Pelo acordo, os donos que não aceitaram a compensação oferecida pela GM em 2023 — um cartão de recompensas no valor de US$ 1.400 — poderão agora receber esse mesmo montante, equivalente a cerca de R$ 7.700.

Já ex-proprietários ou ex-locatários que venderam ou devolveram o veículo antes de 13 de junho de 2023, após receberem a atualização de software da GM, terão direito a apenas US$ 700, pouco mais de R$ 3.800.

Para os 31 autores nomeados no processo coletivo, o valor será um pouco maior: US$ 2.000, ou cerca de R$ 11.000.

Considerando a gravidade do defeito — risco real de incêndio, com prejuízos materiais e até psicológicos — os valores parecem baixos, principalmente diante do que foi pago aos advogados.

O escritório que representou os donos do Bolt receberá honorários no valor impressionante de US$ 52,5 milhões, ultrapassando R$ 250 milhões.

Ou seja, menos de US$ 62 mil serão distribuídos entre os consumidores diretamente afetados, enquanto o grosso da bolada vai para os bastidores do tribunal.

Para muitos donos, a sensação é de frustração dupla: além de ter comprado um carro inseguro, o acordo judicial deixou claro quem realmente saiu ganhando com o escândalo.

Apesar do encerramento formal do caso, a mancha na reputação do Bolt permanece — e ainda levanta dúvidas sobre o comprometimento das montadoras com os consumidores na era elétrica.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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