Governo dos Estados Unidos encerra créditos para sistema start-stop e desmonta de uma vez regras climáticas de duas décadas

painel start stop
painel start stop

Nos Estados Unidos, o governo Trump decidiu mirar diretamente nas regras climáticas que há anos moldavam o desenvolvimento de tecnologias de economia de combustível na indústria automotiva.

A Agência de Proteção Ambiental (E.P.A.) anunciou que montadoras não poderão mais receber créditos de emissões por instalar o sistema start-stop, que desliga o motor nas paradas e religa ao soltar o freio.

Esses créditos eram usados para ajudar fabricantes a cumprir os limites de gases de efeito estufa para veículos a partir do ano-modelo 2012, evitando multas em caso de estouro das metas.

A mudança só foi possível depois que a administração Trump rejeitou a base científica das regulações de emissões veiculares, abrindo caminho para desmontar o mecanismo de compensação.

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O administrador da E.P.A., Lee Zeldin, justificou a decisão dizendo em comunicado que o start-stop “mata baterias”, argumento que especialistas e entidades como a Consumer Reports apontam como equivocado.

Ele afirmou ainda que, em viagens pelos 50 estados ao longo do último ano, ouviu “incontáveis americanos” pedindo o fim do sistema, que segundo ele seria amplamente detestado.

O uso do start-stop se espalhou rapidamente depois que os créditos passaram a valer, mas a tecnologia sempre gerou resistência entre parte dos proprietários.

Em 2022, mais de 1% de todas as reclamações de defeitos registradas no banco de dados do Departamento de Transportes citavam o start-stop, com maior incidência em veículos ano 2017.

Mesmo com mais carros equipados, a fatia dessas queixas caiu quase pela metade até 2024, sugerindo algum nível de adaptação ou melhoria de calibração ao longo do tempo.

Muitos motoristas desconfiam que o recurso realmente economize combustível ou temem desgaste extra em motor e componentes, embora a maioria dos modelos permita desativar o sistema a cada viagem.

Pesquisas técnicas, por outro lado, indicam ganhos reais: um estudo de 2023 da SAE International apontou melhora de consumo entre 7,27% e 26,4%, dependendo das condições de uso.

A decisão de agora vai além do start-stop, já que o governo Trump extinguiu todo o programa de créditos “off-cycle”, criado para premiar tecnologias que reduzem emissões no uso real, mas não aparecem plenamente nos testes oficiais.

Entram nessa lista soluções como o reaproveitamento de calor do motor para aquecer o interior do carro e tintas refletivas que ajudam a manter a cabine mais fria, diminuindo uso do ar-condicionado.

Fabricantes ainda podem continuar oferecendo esses recursos, mesmo sem incentivo, e parte do setor vê a medida como um afrouxamento bem-vindo em regulamentos considerados difíceis de cumprir.

John Bozzella, presidente da Alliance for Automotive Innovation, que reúne marcas como Honda, Ford e General Motors, declarou a veículos especializados que a mudança corrige “regulações inatingíveis” herdadas do governo anterior.

No mesmo pacote, a administração Trump também rejeitou a chamada “endangerment finding”, conclusão científica que, há quase 17 anos, embasava a ideia de que mudanças climáticas ameaçam a saúde humana e o meio ambiente, pilar das políticas de controle de CO₂, metano e outros gases de efeito estufa.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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