Governo dos Estados Unidos quer baratear carros abandonando incentivos a EVs e cortando regras de emissão

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A administração Trump está promovendo uma guinada completa na política automotiva dos Estados Unidos.

Ela está eliminando incentivos aos veículos elétricos e revertendo normas ambientais, com o argumento de que essas mudanças tornarão os carros mais baratos para os consumidores.

Durante visita ao Salão de Detroit, autoridades de alto escalão — incluindo o secretário de Transportes Sean Duffy, o chefe da EPA Lee Zeldin e o representante comercial Jamieson Greer — reforçaram o discurso de que o foco agora é “liberdade de escolha”, e não direcionamento do mercado via subsídios e regulamentações.

Segundo Duffy, as novas regras vão “baixar os preços dos carros e permitir que as montadoras ofereçam o que os americanos realmente querem comprar.”

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A promessa é de queda nos custos iniciais dos veículos, com menos exigências relacionadas a emissões e eficiência energética.

No ano passado, o presidente Donald Trump assinou leis que eliminaram o crédito fiscal federal de US$ 7.500, o equivalente a cerca de R$ 40.275, antes concedido a quem comprava EVs.

Também foram canceladas as regras ambientais específicas da Califórnia e removidas penalidades para montadoras que não atingirem metas de eficiência de combustível.

Zeldin defendeu a medida afirmando que “o governo não deve forçar o mercado a seguir em uma direção diferente da que o consumidor deseja.”

As novas diretrizes incluem ainda a proposta de revogação das normas de emissões veiculares da era Biden, com a EPA devendo formalizar em breve o fim das exigências de controle de poluentes nos escapamentos.

Em paralelo, foram mantidas tarifas sobre carros e autopeças importadas — o que, segundo críticos, poderia encarecer parte da cadeia produtiva.

Apesar disso, Greer minimizou os impactos e afirmou que os preços dos veículos estão em queda.

Ainda assim, os dados mais recentes mostram o contrário: o preço médio de um carro novo nos EUA bateu recorde em dezembro, chegando a US$ 50.326, o que equivale a cerca de R$ 270.251.

O aumento é puxado principalmente por SUVs e picapes, enquanto os modelos de entrada estão desaparecendo do mercado.

Do lado ambiental, a reação foi imediata.

Kathy Harris, diretora de veículos limpos do grupo NRDC, alertou que a reversão das regras favorece a indústria do petróleo e prejudica os consumidores que já enfrentam dificuldades para pagar por combustível.

Segundo estimativas do próprio Departamento de Transportes dos EUA, a nova proposta pode reduzir o custo inicial dos veículos em US$ 930 (cerca de R$ 4.994), mas, em contrapartida, aumentaria o consumo em até 100 bilhões de galões de combustível até 2050.

Isso pode gerar um gasto adicional de US$ 185 bilhões, ou aproximadamente R$ 995 bilhões, apenas em gasolina e diesel — valor que deve recair diretamente sobre os motoristas.

Para a administração Trump, no entanto, o foco é reduzir os preços agora e dar liberdade de escolha às montadoras e consumidores.

Em um ano eleitoral, o governo aposta que menos regulação, mais combustão e carros mais baratos ainda são um discurso vencedor — mesmo que isso custe caro no longo prazo.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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