Guerra contra o Irã acende alerta na indústria automotiva: como o conflito pode derrubar vendas, turbinar gasolina e abrir espaço para chineses

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Enquanto bombas caem no Oriente Médio e o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã se intensifica, a indústria automotiva tenta medir um impacto ainda imprevisível sobre seus negócios globais.

Analistas ouvidos por publicações norte-americanas avaliam que, num primeiro momento, o efeito mais forte não será em linhas de montagem, mas na economia, especialmente via preços do petróleo e confiança do consumidor.

Sam Fiorani, vice-presidente de previsões globais da AutoForecast Solutions, avalia que um conflito prolongado tende a reduzir a demanda local por veículos da Ford fabricados na China.

Ele aponta também que General Motors e Stellantis devem sentir queda nas vendas de picapes e caminhonetes produzidas na América do Norte, embora a produção regional não deva ser fortemente afetada.

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Ford, GM e Stellantis afirmam acompanhar de perto a evolução da guerra, tanto pela possibilidade de evacuar funcionários na região quanto por eventuais rupturas na cadeia de suprimentos.

As montadoras também observam o risco de um choque de confiança dos consumidores, que poderia atingir as vendas globais de veículos novos se o conflito escalar ou se alongar demais.

Apesar da preocupação, os números mostram que a exposição direta das marcas de Detroit ao Oriente Médio ainda é limitada, considerando o tamanho total desses mercados.

Fiorani lembra que o maior mercado automotivo da região é o Irã, onde marcas americanas não são oficialmente comercializadas, o que já reduz a presença direta dos Estados Unidos.

Entre os países em que atuam, as marcas americanas respondem por pouco mais de 8% do mercado no Iraque, cerca de 9% na Arábia Saudita, menos de 12% nos Emirados Árabes Unidos e pouco acima de 14% no Kuwait.

Em 2025, cerca de 172.000 veículos de marcas da tríade de Detroit foram vendidos em todo o Oriente Médio, incluindo modelos produzidos fora da América do Norte, o equivalente a aproximadamente 5% de um mercado de 3,4 milhões de unidades.

Desse total, a Ford vendeu por volta de 79.000 carros, a GM cerca de 62.000 – sem contar 24.000 montados no Egito – e as marcas norte-americanas da Stellantis algo em torno de 13.000, enquanto a Tesla passou de 17.000.

Segundo Fiorani, cerca de um terço dos Chevrolet vendidos na Arábia Saudita e no Kuwait são picapes produzidas nos Estados Unidos, ao passo que a maioria dos Ford nos maiores mercados chega importada da China.

Ele destaca ainda que a produção de veículos no Oriente Médio é majoritariamente voltada ao consumo local, com países como o Egito usando tarifas altas para estimular montagem doméstica e exportar sobretudo para vizinhos da região.

Se o conflito pressionar o preço da gasolina por um período prolongado, o impacto será generalizado, mas deve atingir com força especial as três grandes de Detroit, observa David Whiston, analista da Morningstar.

Whiston lembra que as vendas nos Estados Unidos são hoje praticamente 100% compostas por veículos leves do tipo caminhonete e SUV, segmento mais sensível à alta dos combustíveis.

A GM até conta com alguns EVs, como SUVs e picapes elétricos, o que ajuda a diversificar a oferta, mas isso está longe de blindar totalmente a empresa contra um eventual choque de petróleo.

Sam Abuelsamid, da Telemetry, alerta que não se deve assumir que os preços baixos de gasolina no Oriente Médio vão continuar intactos caso a guerra se arraste e destrua infraestrutura.

Ele cita o exemplo da Arábia Saudita, que combina gasolina barata com mercado relativamente pequeno, e do próprio Irã, onde o combustível só é acessível graças a subsídios pesados do governo.

Apesar das grandes reservas de petróleo, o Irã tem pouca capacidade de refino e importa a maior parte da gasolina que consome, cenário que pode se tornar insustentável em meio a sanções e custos de reconstrução.

Nesse contexto, Abuelsamid enxerga espaço para uma forte expansão dos veículos chineses, em grande parte EVs com alto conteúdo tecnológico e preços agressivos em comparação aos rivais ocidentais.

Na visão dele, é mais provável que o pós-guerra traga um crescimento relevante das importações de carros chineses do que um avanço das marcas americanas no mercado do Oriente Médio.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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