
A tradicional Harley-Davidson enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente, com risco real de rebaixamento para grau especulativo — o chamado “junk status” — pelas agências de crédito.
Segundo a S&P Global Ratings, os últimos resultados da fabricante foram mais fracos do que o esperado, com queda expressiva nas vendas e pouca ação para conter os custos.
Em 2025, a empresa vendeu 12% menos motocicletas que no ano anterior, mas ainda não fez ajustes proporcionais em suas despesas de produção.
Mesmo com a crise de demanda, a companhia projeta vendas entre 130 mil e 135 mil unidades em 2026, contra 132.500 em 2025 — praticamente estagnado.
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A margem Ebitda ajustada, de 3% a 4%, está muito aquém dos patamares mínimos exigidos para manter o grau de investimento, que giram em torno de 13%, segundo a S&P.
Esse cenário pressiona a nota de crédito da Harley, atualmente em BBB-, a mais baixa ainda considerada segura para investidores conservadores.
Um rebaixamento para grau especulativo teria consequências graves, encarecendo empréstimos e restringindo o acesso a linhas de crédito, já que fundos mais tradicionais evitam aplicar em papéis de alto risco.
A Harley-Davidson acumula cerca de US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 15,6 bilhões) em dívidas de curto e longo prazo, o que agrava o impacto de uma eventual piora no custo de financiamento.
No comando desde outubro, o novo CEO Artie Starrs tenta recuperar a imagem da empresa junto às concessionárias e reduzir os estoques encalhados.
Entre as metas traçadas pela nova gestão, está um plano de corte de custos de US$ 150 milhões anuais até 2027, com foco em melhorar o desempenho operacional.
No entanto, o mercado permanece cético até que a empresa apresente seu novo plano estratégico em maio, quando a S&P decidirá se o rebaixamento será confirmado.
Com motos premium encalhadas, demanda desaquecida e pressão por resultados, o futuro da Harley-Davidson está sob forte escrutínio de investidores e analistas.
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