
A ideia parecia perfeita: carros com motor a combustão e bateria recarregável na tomada, permitindo viagens curtas só com eletricidade e longas com gasolina.
Mas os híbridos plug-in estão sumindo rapidamente dos Estados Unidos — rejeitados por consumidores e abandonados pelas próprias montadoras.
Em janeiro, as vendas desses modelos despencaram 51,8% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto os híbridos leves, mais simples e baratos, cresceram 12,7%, segundo dados do CarGurus.
Mesmo com essa queda, o preço médio dos híbridos plug-in aumentou: passou de US$ 62.079 para US$ 70.565 — o equivalente a cerca de R$ 366 mil hoje.
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Esse descompasso entre preço e demanda selou o destino da tecnologia.
Marcas como Jeep, Chrysler, Dodge, Alfa Romeo, Ford, Kia e Volvo já cortaram todos ou quase todos os seus modelos híbridos plug-in do mercado americano.
A Stellantis foi a que mais recuou: deixou de produzir o Jeep Wrangler 4xe, o Grand Cherokee 4xe, o Chrysler Pacifica Hybrid, o Dodge Hornet R/T e o Alfa Romeo Tonale.
A justificativa oficial: foco em soluções “mais competitivas”, como híbridos leves e elétricos com extensor de autonomia (os chamados EREVs).
A Ford também encerrou a produção dos modelos Escape e Lincoln Corsair híbridos plug-in, abandonando por completo esse tipo de motorização nos EUA.
A Kia retirou o Niro plug-in de seu catálogo americano, e a Volvo parou de fabricar os modelos S60 e V60 Recharge com esse tipo de motorização.
Enquanto isso, a disponibilidade desses carros nas lojas caiu 46,9% em um ano, o que indica um desmonte acelerado e silencioso da categoria.
O abandono tem custo alto: a Stellantis reconheceu um prejuízo contábil de US$ 26 bilhões — cerca de R$ 129 bilhões — relacionado à sua estratégia de eletrificação, incluindo os híbridos plug-in descontinuados.
Kevin Roberts, diretor de inteligência de mercado do CarGurus, explicou o problema: “Os híbridos plug-in são a opção mais cara. Exigem toda a engenharia de um EV, mais a de um carro a combustão, além de componentes extras para fazer tudo funcionar em conjunto.”
No lugar dos plug-ins, as montadoras americanas agora apostam em dois extremos: ou híbridos convencionais mais baratos, ou veículos 100% elétricos.
A nova tendência nos EUA são os EREVs — veículos elétricos com pequenos motores a gasolina que recarregam a bateria em movimento.
Modelos com até 700 km de autonomia prometem ser mais práticos que EVs puros e mais eficientes que os combustíveis fósseis.
A Ford já confirmou uma picape EREV para 2027, e a Ram lançará este ano a 1500 com extensor de autonomia.
A Volkswagen também vai reviver a marca Scout com SUVs e picapes EREVs — e 80% das reservas iniciais já preferem essa opção.
Enquanto isso, marcas chinesas como BYD seguem investindo pesado nos híbridos plug-in e nos EREVs, ganhando espaço no exterior com preços competitivos e soluções energéticas flexíveis.
Nos EUA, no entanto, os híbridos plug-in não sobreviveram ao desinteresse dos consumidores, à alta de preços e à dificuldade técnica de unir dois sistemas completos no mesmo carro.
O recado das montadoras é claro: o futuro ainda é elétrico — só que por um caminho bem diferente do que foi imaginado há uma década.
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