
Num cenário em que montadoras correm para cortar emissões, a Hyundai decidiu bater no peito e admitir que seus esportivos N a gasolina saem caros no cálculo ambiental.
Na Austrália, a marca foi obrigada a pagar 4,2 milhões de dólares australianos em multas por exceder as metas de CO2, depois de importar 39.863 veículos no país.
A lista oficial divulgada pelo governo expôs todas as marcas que não cumpriram o limite de emissões, e colocou Hyundai, Mazda, Nissan e Subaru no topo dos valores devidos.
Mesmo assim, a direção local trata o assunto quase como um investimento, apontando diretamente para a divisão N como principal responsável pelo estouro das metas.
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Gavid Donaldson, diretor de operações da Hyundai Austrália, afirmou ao site Drive que, sem os modelos N, a marca teria cumprido o objetivo de CO2 e ainda ficaria “no crédito”.

Segundo ele, olhando apenas para a linha N, a penalidade ficaria em torno de 5,1 milhões de dólares australianos, valor que empurraria todo o balanço para o lado positivo se fosse eliminado.
Donaldson, porém, minimiza o impacto ao dizer que poderia gastar essa quantia em marketing ou patrocínios, mas que prefere aplicá-la, na prática, para sustentar a subcultura N.
O executivo defende que a comunidade de fãs da divisão de alto desempenho é uma das partes mais importantes da identidade da Hyundai, justificando o “dinheiro bem gasto”.
As multas são calculadas com base em 50 dólares australianos por grama de CO2 por quilômetro acima do limite da marca, mecanismo pensado para forçar a adoção de tecnologias mais limpas.
Montadoras podem compensar esse excesso vendendo mais híbridos e EVs, inclusive esportivos elétricos N, ou comprando créditos de emissões de outros fabricantes que ficaram abaixo da meta.
Na conta por veículo, a Hyundai até sai relativamente bem, com um custo médio de 106 dólares australianos por carro, valor bem menor que o de rivais como Mazda e Nissan.
No extremo oposto aparece a Ferrari, que enfrentou a maior multa por unidade, com um valor de vários milhares de dólares australianos para cada um dos poucos carros vendidos.
Hoje, a Hyundai vende três modelos N a gasolina na Austrália: o i30 Sedan N, equivalente ao Elantra N, entregando 276 cv com foco total em pista e estrada.
O i30 N hatch usa o mesmo conjunto mecânico e atualizações de chassi, funcionando como opção prática para quem quer desempenho de hot hatch sem abrir mão de porta-malas.
Completa a família o i20 N, compacto esportivo de cerca de 201 cv, que ocupa o papel de “brinquedo de track day” e é oferecido apenas naquele mercado.
Donaldson admite que a marca ainda não conseguiu maximizar as vendas de híbridos e EVs na Austrália, algo essencial para aliviar a pressão das metas de CO2.
A lógica dele é simples: quanto mais eletrificados a Hyundai colocar nas ruas, mais liberdade terá para continuar trazendo modelos N a combustão para os entusiastas.
Na prática, o recado é claro para o público apaixonado por performance: enquanto houver fôlego para compensar nas planilhas de emissões, a Hyundai está disposta a pagar a conta para manter a diversão.
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