
Trocar pastilhas de freio, ajustar o filtro de ar ou fazer uma troca de óleo sempre foram tarefas básicas para qualquer dono de carro minimamente familiarizado com manutenção.
Esses pequenos rituais criam vínculo entre o motorista e sua máquina — e, para muitos, representam uma forma de independência.
Mas essa relação está em risco.
Segundo relatos que vêm ganhando força na internet, a Hyundai pode estar tornando impossível até mesmo a manutenção mais simples sem a devida “autorização digital”.
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O caso ganhou repercussão em fóruns especializados após um proprietário de um Ioniq 5 N relatar sua tentativa frustrada de trocar as pastilhas de freio traseiras.

Tarefa simples? Nem tanto, segundo ele.
O sistema de freio eletrônico do modelo exige uma série de etapas eletrônicas, incluindo o recuo do motor do freio de estacionamento e uma recalibração posterior. Tudo isso, claro, controlado por software da fabricante.
O problema é que, de acordo com o dono, apenas o programa oficial da Hyundai — o J2534 Diagnostic Tool — permite realizar esse procedimento.
E o acesso a essa ferramenta está longe de ser acessível: é necessário um adaptador de mais de R$ 10 mil, uma assinatura semanal de aproximadamente R$ 420 e, ainda por cima, conexão constante com a internet para autenticação.

Mesmo após cumprir todas essas exigências, o dono recebeu um balde de água fria: sua conta foi bloqueada por ser um “reparador independente”.
A justificativa enviada por e-mail dizia que apenas oficinas registradas com identificação fiscal federal têm acesso ao software.
Para piorar a ironia, o próprio usuário apontou que os concessionários da Hyundai sequer utilizam essa ferramenta. Eles operam com um sistema Android exclusivo, que não está disponível ao público.
O episódio levantou sérias dúvidas sobre o futuro do chamado “direito ao reparo”, especialmente em veículos elétricos.

Nos últimos anos, montadoras e fornecedores têm fechado cada vez mais o cerco sobre os dados e ferramentas necessárias para consertos, alegando segurança e integridade do sistema.
Mas quando uma simples troca de pastilhas depende de autenticação online, assinatura paga e validação corporativa, a linha entre segurança e bloqueio proposital começa a ficar turva.
A polêmica envolve não apenas donos de carros elétricos da Hyundai, mas também a plataforma NASTF (National Automotive Service Task Force), que gerencia o acesso às ferramentas de reparo.
O bloqueio à conta do usuário foi baseado na política de não fornecer suporte a pessoas físicas, o que, na prática, exclui entusiastas e profissionais independentes.
Com mais EVs chegando ao mercado e componentes cada vez mais integrados ao software, especialistas alertam que esse tipo de bloqueio pode se tornar regra — a menos que haja regulamentação clara a favor do consumidor.
A Hyundai, por sua vez, ainda não deu uma resposta oficial conclusiva, mas afirmou que está investigando o caso.
Para muitos donos e interessados em modelos como o Ioniq 5 e o Kia EV6, o caso serviu como alerta. Afinal, que liberdade o proprietário realmente tem sobre seu carro quando nem os freios podem ser trocados sem a permissão da montadora?
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