
A Hyundai deu um passo ousado rumo ao futuro da automação industrial com a apresentação do Atlas, sua mais nova aposta em robôs humanoides, desenvolvidos pela subsidiária Boston Dynamics.
O anúncio foi feito durante a CES 2026, em Las Vegas, e gerou repercussão imediata: as ações da montadora sul-coreana subiram até 8,4% e atingiram um recorde histórico na Bolsa de Seul.
O Atlas é um robô de escala humana, projetado para assumir tarefas repetitivas dentro das fábricas da Hyundai, incluindo a unidade de Savannah, na Geórgia (EUA), a partir de 2028.
Inicialmente, ele será encarregado de organizar peças na sequência de montagem dos veículos — trabalho mecânico e exaustivo que pode ser facilmente automatizado.
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Até 2030, a expectativa é que o robô assuma tarefas mais complexas nas linhas de produção.
Capaz de operar em temperaturas extremas — entre -20 °C e 40 °C — o Atlas possui mãos com sensores táteis, articulações com rotação completa e força para levantar até 50 kg.
A Hyundai planeja produzir em massa até 30 mil unidades por ano nos EUA, consolidando a Atlas como produto comercial e industrial de larga escala.
O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla que busca integrar inteligência artificial com robótica, especialmente no setor automotivo.
Segundo a empresa, os robôs humanoides devem se tornar o maior segmento da chamada “IA física” nos próximos anos.
A movimentação coloca a Hyundai diretamente na disputa com gigantes como Tesla, que desenvolve o robô Optimus — que Elon Musk já chamou de “o produto mais importante da história da Tesla” — e a chinesa Xpeng, que apresentou o Iron Robot no ano passado.
A japonesa Toyota, por sua vez, também reforçou sua divisão de robótica e firmou parceria com a própria Hyundai, unindo forças para acelerar o desenvolvimento de humanoides com IA.
Analistas financeiros estão de olho.
Segundo o Goldman Sachs, o mercado global de robôs humanoides deve atingir US$ 38 bilhões até 2035 (R$ 209 bilhões).
Já o Morgan Stanley projeta um salto para US$ 5 trilhões (R$ 27,5 trilhões) até 2050, quando pode haver mais de 1 bilhão de robôs humanoides em uso no mundo.
A Hyundai não quer ficar para trás.
Desde que criou seu Robotics Lab em 2019, a empresa acelerou os investimentos na área, culminando na compra da Boston Dynamics em 2021.
Essa empresa já emplacou no mercado os robôs Spot, usado como cão de guarda em ambientes industriais, e o Stretch, voltado para tarefas logísticas em depósitos.
Agora, o foco é o Atlas — e o plano é ambicioso.
A Hyundai pretende investir 125 trilhões de won (cerca de R$ 688 bilhões) na Coreia do Sul até 2031 em IA, robótica e tecnologias emergentes, além de R$ 143 bilhões nos EUA até 2028.
Outro pilar estratégico é a parceria com a Nvidia.
As duas empresas firmaram um acordo em outubro para construir um cluster de IA física de R$ 16,5 bilhões na Coreia do Sul, combinando o poder computacional dos chips da Nvidia com as ambições robóticas da Hyundai.
Com o Atlas, a montadora não apenas reforça seu papel como inovadora no setor automotivo, mas também entra com força na corrida por uma nova fronteira industrial onde homens e máquinas vão dividir — e talvez disputar — o mesmo chão de fábrica.
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