
A China não apenas saiu na frente na produção de veículos elétricos, como agora está consolidando seu domínio global no setor de baterias.
Com a redução de subsídios do próprio governo, os principais fabricantes chineses estão acelerando a construção de fábricas em outros países.
Esse movimento estratégico busca ampliar margens de lucro, cortar custos logísticos e fortalecer sua presença na economia do lítio.
Hoje, mais de 80% das células de bateria do mundo são produzidas em território chinês, um número que revela o grau de concentração do setor.
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Com o mercado doméstico já considerado maduro, Pequim sinalizou que é hora das empresas se sustentarem sem apoio estatal.
Essa mudança de postura levou marcas como BYD, CATL, Gotion High-Tech e Envision a investir pesado em fábricas internacionais.
Segundo o Rhodium Group, já são pelo menos 68 plantas fora da China, somando aportes de cerca de R$ 220 bilhões.
A diferença nas margens ajuda a explicar o apetite: as baterias produzidas no exterior geram lucro de 29%, contra 23% das feitas na China.
Além do ganho financeiro, a redução das distâncias de envio representa economia logística considerável para as montadoras.
Mas a expansão não ocorre sem ruídos: na Hungria, uma fábrica da CATL demitiu mais de 100 trabalhadores locais e foi alvo de críticas ambientais.
O caso levantou questionamentos sobre o impacto real da presença chinesa nas economias anfitriãs.
Apesar disso, o ambiente internacional tende a se tornar ainda mais favorável para os chineses nos próximos anos.
A União Europeia, por exemplo, negocia o fim de tarifas que chegam a 35% sobre produtos vindos da China.
Essa abertura ocorre no momento em que o bloco recuou da decisão de banir carros a combustão a partir de 2035.
Na prática, o recuo entrega o futuro do mercado europeu de EVs às montadoras chinesas, que já se mostram mais competitivas que rivais locais.
O Canadá também está abrindo caminho para os fabricantes da China, após anos de restrições.
Por outro lado, os Estados Unidos ainda mantêm distância e não devem aceitar carros elétricos chineses tão cedo.
Analistas apontam que o cenário atual é apenas o começo de uma ofensiva industrial mais ampla e sofisticada.
Para Armand Meyer, do Rhodium Group, os chineses já estão prontos para deixar o mercado interno e enfrentar os concorrentes ocidentais de igual para igual.
Enquanto isso, as baterias chinesas não só alimentam EVs, mas também são peças centrais em infraestruturas de energia alternativa pelo mundo.
A disputa pelo futuro da mobilidade elétrica e do armazenamento energético já começou — e, por enquanto, a China está vários passos à frente.
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