
O setor de autopeças europeu enfrenta uma crise profunda, com mais de 100 mil demissões anunciadas nos últimos dois anos e nenhuma perspectiva de recuperação à vista.
A demanda por veículos continua abaixo dos níveis pré-pandemia, enquanto a concorrência agressiva de empresas chinesas impõe margens de lucro cada vez menores.
Segundo dados da associação Clepa, cerca de 54 mil cortes ocorreram em 2024 e outros 50 mil foram confirmados em 2025, mostrando que o problema só se agrava.
Durante a pandemia, entre 2020 e 2021, os cortes somaram pouco mais de 53 mil, mas o setor parecia ter esperança de retomada que nunca se concretizou.
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Agora, a pressão vem de todos os lados: vendas fracas, adoção lenta de EVs e importações baratas da China colocam fornecedores em xeque.
Benjamin Krieger, secretário-geral da Clepa, afirmou que o setor “ainda não estancou a sangria” e vive uma situação sem precedentes.
A Bosch, maior fornecedora global de autopeças, anunciou em setembro que eliminará 13 mil empregos até 2030 para enfrentar um déficit anual de €2,5 bilhões.
A decisão gerou protestos de funcionários na Alemanha, marcando mais um capítulo da turbulência que atinge o setor em vários países.
Outras gigantes como Valeo, Forvia, Schaeffler e Continental também realizaram cortes severos, com a última transferindo sua divisão automotiva para a nova marca Aumovio.
A francesa Valeo foi direta ao afirmar que a indústria está passando por uma transformação “darwiniana”, onde apenas os mais fortes sobreviverão.
A declaração do CEO Christophe Périllat ecoa o temor de que mais empregos desaparecerão se a União Europeia não agir com firmeza contra a concorrência asiática.
A participação das montadoras chinesas cresce rapidamente na Europa, com EVs bem construídos e vendidos a preços extremamente baixos.
Esses modelos, subsidiados pelo governo chinês, vêm pressionando os custos e desafiando os fornecedores europeus a se adaptarem ou fecharem as portas.
Enquanto isso, a mudança gradual para EVs também afeta os fabricantes tradicionais, antes especializados em peças de motores a combustão.
Com menos peças e manutenção nos carros elétricos, a estrutura de produção precisa mudar, mas muitos ainda não conseguiram fazer essa transição.
Para tentar conter a crise, a Comissão Europeia estuda medidas de proteção que exigiriam uma porcentagem mínima de peças “feitas na Europa”.
Fornecedores defendem um limite de até 75% para manter empregos e garantir competitividade, mas montadoras reagem com receio de aumento nos custos.
Essas novas regras devem ser apresentadas até o fim de janeiro, em meio a uma onda de incertezas e disputas políticas no bloco europeu.
Arnd Franz, CEO da alemã Mahle, disse que esperava um 2025 melhor, mas que as tarifas americanas impostas por Donald Trump frearam ainda mais a recuperação.
Ele prevê uma consolidação forçada no setor nos próximos dois ou três anos, com fechamento de fábricas e reestruturação de capacidades produtivas.
A Clepa insiste que, sob regras iguais, empresas europeias e chinesas podem competir em pé de igualdade, mas é preciso agir antes que seja tarde.
Se nada mudar, o cenário aponta para mais cortes, mais perdas e uma possível desindustrialização de parte da cadeia automotiva europeia.
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