
Com montadoras chinesas despejando bilhões em EVs de luxo e marketing agressivo, os tribunais do país começam a virar palco para a guerra entre marcas e influenciadores automotivos.
O caso mais recente envolve a Maextro, marca de EVs de alto padrão criada por Huawei e JAC, que venceu um processo de difamação contra o blogueiro conhecido como Fraccino.
A Justiça concluiu que ele fabricou acusações de fraude contra o sedã Maextro S800 e determinou uma retratação pública, além do pagamento de 300.000 yuans, algo em torno de R$ 225 mil.
A história começou no início de 2025, quando a Maextro divulgou vídeos mostrando o S800 fazendo “crab walk” e atravessando buracos cheios de água e areia, lado a lado com um Mercedes-Maybach Classe S.
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Nas imagens, o sedã chinês passava sem deixar rastros das substâncias na carroceria, enquanto o alemão sujava bem mais, reforçando o discurso de conforto de suspensão e isolamento.

Foi então que Fraccino publicou um vídeo alegando que os testes tinham sido manipulados para favorecer o S800, insinuando que esse tipo de campanha seria “padrão Huawei” em marketing.
Em março de 2025, a Maextro exigiu um pedido formal de desculpas, mas o influenciador respondeu com outro vídeo ainda mais provocativo, voltando a ridicularizar as ações de marketing da marca.
Diante da escalada, a JAC, uma das controladoras da Maextro e ex-fabricante da Nio, entrou com processo em maio, pedindo inicialmente 1 milhão de yuans, cerca de R$ 725 mil, em indenização.
O blogueiro revidou dizendo que não só discordava das acusações como pretendia contra-atacar na Justiça, pedindo 2,5 milhões de yuans, valor próximo de R$ 1,86 milhão, em compensação.

Em 24 de fevereiro de 2026, a área jurídica da Maextro informou que o tribunal proferiu sentença de primeira instância, classificando as declarações de Fraccino sobre o S800 como fabricadas e danosas à reputação da empresa.
Além do pedido de desculpas público e da indenização de aproximadamente R$ 225 mil, o resultado reforça a ofensiva das montadoras contra criadores que cruzam a linha entre crítica e acusação sem prova.
Não por acaso, o influenciador já figurava, desde novembro de 2025, em listas de blogueiros apontados por autoridades e associações locais por difamar montadoras para gerar engajamento e audiência.
Casos parecidos vêm ganhando força, com decisões que obrigam indivíduos a apagar vídeos, se retratar e pagar até 2 milhões de yuans, algo perto de R$ 1,45 milhão, em disputas envolvendo BYD, Great Wall e Xpeng.

Em janeiro de 2026, por exemplo, um tribunal ordenou que um blogueiro que divulgou dados enganosos de consumo do SUV Denza B5 pagasse à BYD justamente cerca de R$ 1,45 milhão em compensações.
Toda essa mobilização ajuda a explicar por que a imagem do Maextro S800 é tratada como ativo estratégico, já que o sedã se tornou um fenômeno no segmento de luxo acima de 700.000 yuans, aproximadamente R$ 518 mil.
Lançado em agosto de 2025, o S800 já soma 14.078 unidades vendidas segundo o China EV DataTracker, um volume expressivo para um carro dessa faixa de preço e posicionamento.
Com 5.480 mm de comprimento, 2.000 mm de largura, 1.536 mm de altura e entre-eixos de 3.370 mm, o modelo ainda é 89 mm mais longo que o novo BMW Série 7 G70.
A cabine aposta em tecnologia pesada, com tela central de 15,6 polegadas e um ainda maior display de 16 polegadas dedicado ao passageiro dianteiro, reforçando o apelo de “salão multimídia sobre rodas”.
Na versão totalmente elétrica, o Maextro S800 usa dois motores que somam 390 kW, o equivalente a cerca de 530 cv, alimentados por bateria de 95 kWh para 702 km de alcance CLTC.
Há ainda variantes EREV com duas configurações: uma com dois motores totalizando 390 kW e outra com três motores entregando 635 kW, aproximadamente 864 cv, ambas com gerador 1.5 de 115 kW, algo em torno de 156 cv.
Nessa configuração híbrida de autonomia estendida, a bateria de 65 kWh garante entre 365 e 400 km de rodagem puramente elétrica antes de o motor a combustão assumir como gerador.
Com esse pacote de tamanho, potência e tecnologia, o S800 mira diretamente sedãs de luxo alemães, o que ajuda a entender por que qualquer questionamento de “teste armado” vira assunto de tribunal.
A tendência que emerge da decisão é clara: influenciadores continuam com espaço para criticar EVs e EREVs chineses, mas quem transformar opinião em acusação sem base técnica pode pagar caro.
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