
A tecnologia que promete revolucionar o mundo também está causando confusão nas concessionárias, onde vendedores se deparam cada vez mais com clientes em busca de carros que simplesmente não existem.
O motivo por trás desse fenômeno é a disseminação de vídeos gerados por inteligência artificial, que inventam modelos clássicos com visual moderno e fazem parecer que seu retorno está prestes a acontecer.
Matthew Slobodjian, gerente geral de vendas de um grupo automotivo em Nova Jersey, relata que, pelo menos uma vez por mês, algum interessado aparece no showroom perguntando sobre um modelo fictício.
Um dos casos mais recorrentes envolve o lendário Chevrolet Chevelle, que foi alvo de vídeos virais nas redes sociais sugerindo um possível relançamento do muscle car.
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Segundo Slobodjian, essas pessoas geralmente afirmam que viram “notícias” ou vídeos mostrando o novo Chevelle, com imagens impressionantes criadas por IA que parecem oficiais.
(No Brasil, o problema também existe por causa de sites que inventam modelos que supostamente estão voltando à vida, para ganhar alguns cliques.)
A confusão é tanta que ele precisa explicar com paciência que, se o modelo realmente estivesse voltando, ele já saberia, teria recebido treinamento e feito pedidos à fábrica.
A situação não se limita ao Chevelle: modelos como o Pontiac GTO e até picapes “retrô” da Chevrolet também costumam surgir nas perguntas dos clientes mais velhos.
De acordo com o gerente, o público afetado por essa onda de desinformação tende a ser mais maduro, provavelmente exposto a conteúdos no Facebook ou YouTube, onde vídeos bem produzidos induzem ao erro.
Curiosamente, marcas como Subaru, Volkswagen e Mitsubishi não têm enfrentado o mesmo problema, o que sugere que o apelo emocional dos muscle cars é o principal combustível para os boatos.
Mas os danos vão além de carros completamente inventados: a IA também tem espalhado informações erradas sobre pacotes de opcionais, combinações de cores e versões que não existem no catálogo atual.
Há casos em que clientes chegam com especificações complexas baseadas em dados falsos, como a ideia de que podem combinar dois pacotes incompatíveis ou comprar versões que foram descontinuadas.
Slobodjian relata que até diferenças entre versões, como a GMC AT4 e a AT4X, são confundidas por sistemas automatizados que não compreendem as nuances da linha de produtos.
Esse tipo de mal-entendido gera frustração tanto para quem quer comprar quanto para quem tenta vender, exigindo tempo extra para explicar por que aquilo que a internet prometeu não é real.
Apesar dos transtornos, ele afirma que ainda é possível conduzir o cliente a uma alternativa próxima, desde que o modelo desejado exista dentro da linha atual.
No entanto, quando se trata de um carro puramente fictício, como um novo Chevelle, não há muito o que fazer além de explicar a verdade — e torcer para que a pessoa aceite.
O crescimento desse problema levanta um alerta importante para o setor automotivo: com a IA criando imagens e informações convincentes, a linha entre realidade e fantasia está se tornando cada vez mais difícil de distinguir.
Enquanto isso, concessionárias se veem obrigadas a atuar como “caçadores de mitos”, desmentindo carros fantasmas criados pela inteligência artificial.
Em um mundo onde qualquer coisa pode parecer real com o auxílio de algoritmos e edições digitais, a velha máxima se aplica mais do que nunca: se parece bom demais para ser verdade, provavelmente é.
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