
O Reino Unido está se tornando um campo estratégico para o avanço global das montadoras chinesas, que enxergam no mercado britânico uma porta de entrada para consolidar sua presença na Europa.
Marcas como Nio, Aion e Zeekr estão prestes a desembarcar no país ainda este ano, ampliando a lista de fabricantes da China que já operam no território britânico.
O atrativo principal é claro: o Reino Unido não impõe tarifas extras sobre carros elétricos importados da China.
Além disso, a ausência de uma montadora local de volume e a maior receptividade do consumidor britânico a novas marcas tornam o ambiente ainda mais favorável.
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BYD, Chery, MG e outras montadoras chinesas já avançaram consideravelmente, tomando espaço de marcas tradicionais como Toyota, Hyundai e Mercedes-Benz.

No entanto, sua atuação tem outro impacto importante: ajudar na recuperação de um mercado que ainda não voltou ao patamar pré-pandemia de 2,5 milhões de unidades por ano.
A Zeekr, subsidiária elétrica da Geely, já está presente em 12 mercados europeus e agora mira no Reino Unido, com planos de cobertura de 90% do continente até 2026.
Durante o Salão de Bruxelas, o CEO interino da Zeekr Europa, Lothar Schupet, afirmou que a estratégia passa por posicionar a marca como um “luxo acessível”, com foco nas frotas corporativas, que representam 60% das vendas britânicas.
Segundo ele, serviços financeiros e valor residual serão elementos-chave para conquistar esse segmento.
Geely, dona da Zeekr, já entrou no mercado britânico em 2025 com metas ambiciosas: 100 mil carros vendidos por ano e garantia de oito anos nas baterias de seus EVs.

Outras marcas como Xpeng, Changan, Leapmotor (com apoio da Stellantis) e a própria MG — que já é uma das mais vendidas do país — ampliam a frente chinesa.
Em 2025, a participação das marcas da China no mercado automotivo do Reino Unido dobrou, atingindo 10%, segundo a SMMT.
Em dezembro, só BYD e Chery já haviam conquistado juntas 10% de market share, com destaque para o salto da BYD de 1% para 5% em apenas um ano.
Agora, novas movimentações estão a caminho.
A Nio pretende lançar por lá um modelo compacto sob a nova submarca Firefly, enquanto a estatal GAC deve introduzir a linha Aion.
A BYD, por sua vez, vai levar sua divisão de luxo Denza ao público britânico, e a Chery pode incluir mais uma marca — Lepas — no portfólio local, que já conta com Omoda e Jaecoo.
Apesar de BYD e Leapmotor estarem planejando fábricas na Europa continental, o governo do Reino Unido ainda não conseguiu atrair produção local das montadoras chinesas, em grande parte devido ao alto custo energético do país.
Para especialistas, isso não deve frear a expansão.
Ian Plummer, diretor comercial do Auto Trader, acredita que os novos entrantes — em sua maioria chineses — devem alcançar 20% do mercado britânico até 2028.
E engana-se quem pensa que o crescimento se restringe a modelos elétricos baratos.
As montadoras da China oferecem também híbridos e veículos a combustão, com preços e propostas que desafiam tanto marcas de volume quanto fabricantes premium.
Como resume Plummer: “A ideia de que os chineses só fazem elétricos baratos está ultrapassada. Eles estão tirando fatias de mercado de todo mundo.”
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