
Algumas marcas só parecem atingir o auge do desejo no mercado quando deixam de estar ao alcance da mão, como se precisassem sumir da vitrine para serem realmente notadas.
É exatamente essa sensação que muita gente passou a ter com a Jaguar, principalmente lá no Reino Unido, justamente agora que a produção foi interrompida à espera de uma virada completa na linha de produtos.
Curiosamente, foi em 2023 que o próprio chefe de criação da marca resumiu o estado das coisas dizendo que a Jaguar não tinha “nenhum espaço” no imaginário do público.
Passado pouco tempo, a percepção parece outra, e basta ver um XJ da última geração para perceber como aquele sedã, encerrado em 2019, ficou ainda mais bonito.
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Os olhos também começam a brilhar diferente para cupês XJC, para o XJS em plena redescoberta de estilo e até para os primeiros XK8, saindo da fase do “tanto faz”.
Nem o S-Type R, com seu visual retro meio bege que parecia caricato quando era novo, escapa dessa revisão sentimental, e hoje até entra em muita garagem dos sonhos.
Essa mudança de humor tem cheiro de nostalgia clássica, daquele tipo que lembra só as viagens perfeitas e apaga as discussões de posto de gasolina e oficina atrasada.
Porque, convenhamos, para cada F-Type inspirador houve um E-Pace insosso, e para cada XJ majestoso também existiu um X-Type que parecia Ford demais para ser Jaguar.

Nostalgia, porém, não trabalha com balanço contábil, e sim com lembranças escolhidas, o que aproxima a Jaguar de um fenômeno à la Saab, em versão mais discreta.
A marca sueca deixou no cérebro dos entusiastas detalhes esquisitos e adoráveis, como porta-copos giratórios e o botão que apagava quase todos os instrumentos à noite.
Hoje muita gente jura que sente falta de Saab, ignorando convenientemente que, perto do fim, os carros já não eram grande coisa nem em qualidade, nem em modernidade.
Com a Jaguar, o hiato atual pode estar fazendo algo parecido, reforçando os momentos brilhantes e deixando numa penumbra conveniente os erros estratégicos e produtos esquecíveis.

Nesse período, o único “novo Jaguar” de verdade foi o Type 00, um conceito acompanhado de campanha publicitária polêmica, que dividiu opiniões em rede social corporativa.
O próprio comando da marca admitiu que faltou explicar direito por que a Jaguar precisava mudar tanto, e logo tratou de incluir XJS e E-Type nos vídeos institucionais.
É possível argumentar que o Type 00, sendo amado ou detestado, acabou lembrando ao público que a Jaguar sempre flertou com reinvenções radicais, nem sempre bem compreendidas.
Seja por nostalgia pura, por contraste com um futuro elétrico ainda abstrato ou pelo charme das barcas antigas, a verdade é que um Jaguar velho parece mais sedutor do que nunca.
A ideia de rodar por aí em um sedãzão britânico, com todos os defeitos varridos para debaixo do tapete e só os detalhes legais em evidência, nunca soou tão tentadora.
[Fonte: Autocar]
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