
Há poucas coisas mais típicas do mundo dos superesportivos do que anunciar uma virada radical e, semanas depois, deixar uma porta aberta do tamanho de um portão.
Um mês após o CEO Stephan Winkelmann dizer que tinha “puxado da tomada” o EV da Lamborghini, o novo relatório de resultados indicou que o projeto não acabou de verdade.
No documento divulgado hoje, a empresa reforçou que vai adicionar um quarto modelo híbrido e chamou isso de parte de uma visão industrial de longo prazo.
O trecho que chama atenção é a frase de que essa estratégia acontece “sem comprometer o desenvolvimento futuro de um modelo totalmente elétrico”.
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Na prática, a Lamborghini sinaliza que ainda trabalha num EV, ou pelo menos evita descartar o plano com a mesma contundência sugerida nas falas de fevereiro.

Naquele momento, Winkelmann afirmou que a adoção estava “próxima de zero” e que o trabalho em torno do Lanzador corria risco de virar um “hobby caro”.
Ao mesmo tempo, ele já tinha deixado o “never say never” no ar, e agora o texto corporativo parece transformar essa brecha em posicionamento oficial.
A leitura é que a marca vai esperar a hora certa, enquanto concentra energia nos PHEVs e mantém o desenvolvimento de um elétrico puro rodando nos bastidores.
Nesse reposicionamento, o Lanzador tende a ganhar vida mais como um PHEV do que como EV “full-fat”, alinhando performance e transição sem depender de recarga.
O relatório não trouxe um cronograma novo para o Lanzador PHEV, mas a expectativa é que ele chegue perto de 2030, bem depois do que se imaginava para o elétrico.

Enquanto o futuro fica em suspense, o presente continua forte: em 2025 a Lamborghini vendeu 10.747 veículos, recorde e terceiro ano seguido acima de 10.000.
A receita do ano foi de €3,2 bilhões (R$ 19,49 bilhões) e a empresa manteve 24% disso, uma margem robusta para uma marca que já viveu décadas de aperto.
Outro número que explica o cofre cheio é o peso do Ad Personam, já que 94% dos compradores levaram ao menos um item do programa de personalização.
As entregas do Temerario, o novo superesportivo de entrada com V8 que gira a 10.000 rpm, começaram neste ano e podem empurrar 2026 para um patamar ainda maior.
Mesmo assim, o cenário de gasolina disparando e mercado incerto pode esfriar compras por impulso, com impacto potencial em regiões como o Oriente Médio.
Ao longo do ano, a marca promete revelar mais “desenvolvimentos”, que são versões mais fortes e edições especiais, previstas para eventos como Goodwood e Monterey Car Week.
No fim, o recado do balanço é claro: o EV não acabou, só foi adiado e colocado em modo silencioso, enquanto a Lamborghini tenta acertar o tempo do mercado.
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