
A atualização mais recente da chamada “lista suja” do trabalho escravo escancarou como reputação e risco financeiro podem caminhar junto com grandes investimentos industriais no Brasil.
Divulgado na segunda-feira, 6 de abril de 2026, pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), o cadastro adicionou 169 novos nomes e passou a reunir 613 empregadores.
A lista torna públicos dados de pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas após direito de defesa concluído na esfera administrativa em duas instâncias, conforme as regras do governo federal.
Quem entra permanece por dois anos, mas pode sair antes se assinar acordo de regularização com o MTE e passar a integrar uma lista de observação.
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Criado em novembro de 2003 e atualizado a cada semestre, o cadastro não aplica punições diretas, porém é usado por empresas e pelo setor financeiro para gestão de risco.
A ONU (Organização das Nações Unidas) considera essa relação um dos instrumentos mais relevantes de combate ao trabalho escravo no mundo.

Entre os novos nomes está a montadora chinesa BYD, incluída por ser considerada diretamente responsável por submeter 163 trabalhadores chineses a condições análogas à escravidão.
O caso ocorreu durante a construção da fábrica em Camaçari, na Bahia, em operação de força-tarefa realizada em dezembro de 2024, segundo os dados do MTE.
Com o avanço das apurações, o total de trabalhadores resgatados na obra chegou a 224, elevando a dimensão do episódio.
Os auditores fiscais não acataram a alegação de que se tratava apenas de terceirizada e apontaram a BYD como empregadora, afirmando vínculo empregatício direto.
Contratos analisados previam jornada de dez horas por dia, seis dias por semana, com possibilidade de extensão, o que levaria a 60 a 70 horas semanais.

O número supera o limite legal brasileiro de 44 horas por semana e foi citado como parte do conjunto de irregularidades apuradas pela fiscalização.
Também foram relatadas condições degradantes nos alojamentos, incluindo um local com apenas um vaso sanitário para 31 trabalhadores.
Segundo a fiscalização, muitos dormiam sem colchões e não havia armários, fazendo alimentos se misturarem a roupas e pertences pessoais em ambiente considerado insalubre.
A Repórter Brasil informou que procurou a BYD na segunda-feira e incluiria o posicionamento quando recebido, lembrando nota anterior em que a empresa declarou compromisso “inegociável” com direitos humanos e trabalhistas.
A atualização da lista também trouxe o cantor Amado Batista, autuado em 2024 em Goiás em atividades ligadas ao cultivo de milho, somando 14 trabalhadores em condições análogas à escravidão nas duas ações.
Dados do governo indicam resgate de quatro trabalhadores em área arrendada e, em propriedade do cantor, não houve resgate, mas responsabilização por trabalho escravo de dez pessoas após análise de depoimentos e documentos.
Em um dos casos, citou-se jornada exaustiva, com início de madrugada e término à noite, enquanto o artigo 66 da CLT determina descanso mínimo de 11 horas entre jornadas, e o artigo 149 do Código Penal define quatro elementos.
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