
Enquanto o mundo dos robotáxis ainda tropeça em prazos adiados e promessas inalcançáveis, uma startup europeia resolveu seguir outro caminho — mais realista e com foco na escala.
A Vay, sediada em Berlim, aposta no uso de controle remoto humano para entregar carros elétricos sem motorista até o cliente, que assume o volante depois.
A ideia é simples: em vez de disputar espaço com Uber ou competir com serviços de robotáxis como Waymo, a empresa criou um modelo híbrido que reduz custos e aumenta a praticidade.
O cliente solicita um carro pelo aplicativo da Vay, insere os dados da CNH e uma selfie, e aguarda o veículo chegar sozinho, conduzido por um operador remoto.
Veja também
Ao final da viagem, o usuário simplesmente desce do carro — sem precisar procurar vaga ou se preocupar com devolução.
Por enquanto, a operação se concentra em Las Vegas, com uma frota de 100 unidades do Kia Niro elétrico, todos equipados com câmeras, mas sem sensores sofisticados como LIDAR.
Dentro da sede da Vay na cidade americana, motoristas treinados operam estações de controle que lembram simuladores de videogame, com múltiplas telas e comandos completos.
O serviço só permite condução remota em vias urbanas e velocidades inferiores a 40 km/h.
A partir daí, o usuário assume o comando e pode até acessar rodovias, se necessário.
A estratégia evita os maiores gargalos técnicos da autonomia total e permite um lançamento mais rápido e com menos capital.
O CEO e cofundador Thomas von der Ohe, ex-funcionário da Zoox, conta que se cansou dos prazos que nunca se cumpriam no mundo dos robotáxis.
Ele viu o sonho do carro 100% autônomo ser adiado ano após ano, sempre “a três anos de distância”, segundo suas próprias palavras.
Com a Vay, o foco virou praticidade e viabilidade econômica.
A empresa cobra por minuto: US$ 0,35 durante a condução e apenas US$ 0,05 enquanto o carro está parado, ideal para quem quer fazer compras ou uma pausa rápida.
Com esse modelo, uma viagem de meia hora, mais uma parada de 90 minutos, sai por cerca de US$ 25 — metade do preço médio de uma corrida de Uber nos EUA.
Von der Ohe afirma que consegue manter os preços baixos porque um único operador remoto pode gerenciar até dez veículos sequencialmente.
Ou seja, enquanto um cliente dirige, o operador já está trazendo o próximo carro para outro usuário.
A empresa já realizou 35 mil viagens e tem 200 funcionários.
Ela também recebeu mais de US$ 200 milhões em investimentos, incluindo uma rodada liderada pela Grab Holdings, dona do superapp asiático Grab.
Segundo o CEO, a Vay não pretende competir com os grandes players da autonomia total, mas sim construir um caminho paralelo, onde a tecnologia existente já pode ser aplicada de forma escalável.
A demanda disparou durante a CES, evento de tecnologia em Las Vegas, com tempo de espera de até 30 minutos — muito acima do ideal, segundo o próprio von der Ohe.
Mas ele acredita que, com mais operadores e frota ampliada, o tempo cairá para cerca de cinco minutos.
Para quem acreditava que a revolução do transporte viria apenas com inteligência artificial, a Vay mostra que o “toque humano” ainda pode ser uma vantagem competitiva.
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










