Lucid cobra R$ 25 mil por trinca em lanterna e revolta clientes ao fim dos contratos de leasing

SUV elétrico cinza da Lucid estacionado diante de uma construção envidraçada, visto em ângulo frontal.
SUV elétrico da Lucid é apresentado em ambiente externo, com carroceria cinza, teto panorâmico e inscrição da marca no capô.

A Lucid Motors, marca americana de veículos elétricos de luxo, está enfrentando uma onda crescente de críticas por cobranças consideradas abusivas no encerramento de contratos de leasing.

O que começou como relatos isolados se transformou em um verdadeiro coro de insatisfação, com clientes relatando surpresas desagradáveis e valores altíssimos ao devolverem seus carros.

Um dos casos mais comentados envolve a cobrança de US$ 4.900 (cerca de R$ 25 mil) por uma pequena trinca em uma lanterna traseira — algo que, segundo o próprio cliente, só é visível com zoom e não afeta a funcionalidade nem a vedação.

Mas esse não foi o único susto. O mesmo cliente foi cobrado US$ 2.400 (R$ 12 mil) pela troca de um para-choque dianteiro por conter dez marcas de pedras, um risco de uma polegada e uma trinca leve.

Lucid Gravity prata visto de trás e de lado, estacionado diante do mar.
Lucid Gravity prata fotografado em uma área litorânea, com a traseira e a lateral do veículo em destaque.

Outros custos incluíram US$ 100 por danos menores na lanterna esquerda — o que parece incoerente com a ideia de que o conjunto seria trocado inteiro — e US$ 200 por um arranhão de 7 polegadas na roda dianteira.

A responsável pelas avaliações é a Lucid Financial Services, em parceria com o Bank of America, que contrata empresas terceirizadas para inspecionar os veículos.

As redes sociais estão repletas de relatos parecidos. Clientes frustrados cancelaram reservas de novos modelos e afirmam que não pretendem mais fechar leasing com a Lucid.

Um usuário do Reddit relatou ter desistido da troca de um Rivian por um Lucid após ver o modo como a empresa lida com essas cobranças. Outro afirmou que cancelou um pedido do SUV Gravity “100% por causa disso”.

Interior de veículo Lucid com volante, painel panorâmico, tela central e bancos em tom marrom.
Interior de veículo Lucid com painel digital amplo, tela central e acabamento interno em tons escuros e marrons.

Diante da repercussão negativa, a Lucid enviou um comunicado pedindo desculpas e prometendo rever os processos.

A empresa reconheceu falhas na comunicação, na inspeção e na cobrança de danos, afirmando que os padrões não foram seguidos à risca.

Entre as mudanças anunciadas, a Lucid informou que:

– Riscos na lataria com menos de 3,5 polegadas (8,9 cm) não serão mais cobrados;
– Riscos em rodas de até 3,5” também não serão tarifados;
– Danos entre 3,5” e 12” nas rodas terão tarifa máxima de US$ 200;
– Manchas internas menores que 3,5” não serão mais cobradas;
– Riscos em placas de proteção inferiores também foram excluídos da cobrança.

Sedã escuro com a palavra “LUCID” na dianteira, estacionado diante de uma fachada envidraçada.
Sedã da Lucid aparece estacionado diante de uma fachada envidraçada, em vista dianteira de três quartos.

A Lucid está revisando todas as cobranças recentes de leasing e disponibilizou um canal para contestação dos valores cobrados.

A medida busca recuperar a confiança dos consumidores, mas muitos acreditam que as mudanças vieram tarde demais.

Para uma marca que se posiciona no segmento premium, com foco em inovação e experiência, a crise causada por cobranças mal explicadas pode custar caro — e não só no papel.

Resta saber se os próximos clientes verão, de fato, um processo mais justo ou apenas mais uma promessa corporativa sem resultado prático.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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