
Para um grupo crescente de ultrarricos, a casa deixou de ser apenas refúgio e virou um grande museu particular, pensado para exibir coleções como se fossem obras de arte.
Em vez de esconder supercarros, bolsas raras e vinhos em garagens, closets e adegas escuras, esses proprietários mandam arquitetos criar galerias envidraçadas e espaços cenográficos dentro da própria residência.
Em Beverly Hills, um cirurgião plástico é um dos rostos mais visíveis dessa tendência, com uma casa reformada para enxergar sua frota de supercarros direto da cozinha.
Ele mandou instalar uma parede de vidro na área gourmet para contemplar raridades como um McLaren SLR HDK e um Porsche Carrera GT 2005, entre outros brinquedos de altíssimo valor.
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Sete carros ficam em exposição permanente nesse showroom privado integrado à casa, enquanto o restante da coleção é guardado em outros endereços mais convencionais.

Ele diz que não se contenta em dirigir seus esportivos apenas nos fins de semana, porque também quer “encarar os carros como arte” depois de longas jornadas de até 14 horas de cirurgia.
O plano é ir além: ele está construindo outra casa com conceito parecido e pretende transformar a atual residência em uma galeria de carros de 5.000 pés quadrados, cerca de 500 metros quadrados, com três quartos sobre ela, investimento total de cerca de US$ 14 milhões (algo em torno de R$ 73,5 milhões).
A mesma lógica já chegou à zona rural chique dos Cotswolds, na Inglaterra, onde o escritório HollandGreen criou uma galeria automotiva separada de uma mansão de alto padrão.
O imóvel já tinha uma garagem tradicional, segura e prática, mas nada convidativa, por isso o novo espaço foi pensado como área de lazer com direito a som, toca-discos de vinil, bar, estação de café e poltronas confortáveis.

Ali, o proprietário pode sentar diante de seu Ferrari como quem contempla um quadro de Rothko, em ambiente com projeto de iluminação assinado para valorizar as linhas do carro atrás de grandes portas de vidro.
Em Londres, um arquiteto preferiu fazer o espetáculo com vinho, reformando uma townhouse para expor uma coleção de mil garrafas em uma sala envidraçada e iluminada.
Em vez de adega subterrânea escura, o projeto criou um ambiente climatizado com LEDs suaves de baixa intensidade, que preservam o vinho ao mesmo tempo em que convidam os convidados a circular e explorar.
Segundo ele, a pandemia foi um gatilho importante, porque as pessoas passaram mais tempo em casa, deixaram de viajar e resolveram investir dinheiro e energia para mostrar suas paixões no próprio endereço.

Ele define essa onda como uma questão de identidade, comparando as vitrines de hoje às caixas de brinquedo das crianças ou aos tesouros com que os faraós eram enterrados.
Designers de luxo já falam em “momento de teatro” quando descrevem mecanismos como elevadores que fazem coleções de vinho emergirem do chão diante dos convidados.
Nos closets, o movimento é parecido: depois do maximalismo iluminado dos anos 1980 e da fase japonesa minimalista inspirada por Marie Kondo, muitos dormitórios de luxo agora ganham “mini museus” de roupas e bolsas.
O contexto ajuda a explicar a mudança, já que o mercado de segunda mão de itens de luxo cresce mais de 10% ao ano e já passa dos US$ 200 bilhões [algo em torno de R$ 1,05 trilhão], segundo estudos de consultoria.
Corretoras de alto padrão contam que não é raro ver clientes com coleções de bolsas Hermès, Chanel e Louis Vuitton avaliadas em centenas de milhares ou até milhões, exigindo controle de temperatura, umidade e segurança dignos de um museu.
No fim das contas, porém, por trás de toda essa sofisticação técnica, o motor principal continua sendo o prazer simples de olhar para aquilo que se ama depois de um dia exaustivo de trabalho.
É exatamente assim que estes milionários descrevem sua rotina, confessando que, desde criança, são obcecados por carros e hoje encontram descanso em apenas ficar ali, encarando sua própria exposição particular.
[Fonte: Bloomberg]
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