
O brilho do G-Class, ícone da Mercedes-Benz que virou símbolo de status e luxo extremo, parece começar a perder força — pelo menos na versão elétrica.
Tradicionalmente um modelo com sobrepreço nas concessionárias, agora o G 580 com tecnologia EQ está recebendo um desconto de cinco dígitos nos EUA.
E isso levanta uma pergunta incômoda: será que o público realmente quer um G elétrico?
Segundo o site CarsDirect, a Mercedes está oferecendo um bônus de R$ 53.700 (US$ 10 mil) para quem comprar ou financiar o G 580 elétrico.
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É o maior desconto já concedido na história da linha G nos Estados Unidos — algo impensável até pouco tempo atrás.

Esse incentivo vale apenas para a versão com tecnologia EQ, um nome que tenta unir tradição e modernidade, mas que ainda não conquistou o coração (e o bolso) do consumidor americano.
Com o desconto aplicado, o preço cai de R$ 876.400 (US$ 163.200) para cerca de R$ 822.700 (US$ 153.200), ficando no mesmo patamar do G550, que traz motor seis cilindros a combustão.
Mesmo com o visual imponente e o luxo característico da linha, o G elétrico ainda enfrenta resistência.
Apesar do torque absurdo de 116 kgfm gerado por seus quatro motores elétricos e da capacidade de girar sobre o próprio eixo — literalmente fazer um “giro de tanque” —, o modelo segue como coadjuvante nas lojas da marca.
Os dados de vendas gerais do G-Class são impressionantes: em 2025, a Mercedes vendeu cerca de 49.700 unidades globalmente, um aumento de 23% em relação ao ano anterior. Mas a empresa não separa os números entre versões elétricas e a combustão.

Um relatório do jornal alemão Handelsblatt, divulgado em abril de 2025, indica que apenas 1.450 unidades do G elétrico foram entregues na Europa até aquele momento — e míseras 58 na China.
Mesmo com esses números baixos, a Mercedes afirma que o G elétrico teve uma “contribuição substancial” para os resultados da linha.
Se isso significar 10% do total, estamos falando de aproximadamente 5.000 unidades vendidas globalmente — um número respeitável, mas longe de justificar o investimento em um modelo tão caro e específico.
O G 580 com EQ Technology tenta conquistar clientes oferecendo uma alternativa “verde” ao tradicional V8 biturbo AMG de 577 cv e 86,7 kgfm. Só que o consumo do modelo elétrico ainda não foi um argumento forte o suficiente para virar o jogo.

Mesmo com gasolina cara e o G-Class sendo um dos SUVs mais beberrões do mercado — com média de 5,9 km/l —, os fãs da marca parecem ainda preferir o barulho e a brutalidade da combustão.
Além disso, não é fácil imaginar que alguém disposto a pagar mais de R$ 800 mil em um SUV esteja preocupado com economia de combustível ou isenção de IPVA. O G é mais um símbolo de estilo do que uma escolha racional.
Com o novo desconto, a Mercedes pode até tornar o G elétrico mais atrativo para leasing ou financiamento, reduzindo as parcelas mensais.
Mas será que isso será suficiente para mudar a percepção do público?
No fim das contas, o G-Class segue firme como ícone do luxo automotivo, mas sua versão elétrica ainda luta para justificar sua existência — mesmo com bônus generosos.
E talvez isso diga mais sobre o público-alvo do modelo do que sobre a tecnologia em si.
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