
O mercado de equipes de Fórmula 1 virou um tabuleiro de aquisições discretas, e uma participação de 24% na Alpine pode virar a próxima peça capaz de desequilibrar o jogo.
O rumor inicial dizia que Toto Wolff, chefe da Mercedes, poderia comprar essa fatia, mas a conversa no paddock rapidamente migrou para a própria Mercedes como possível compradora.
Flavio Briatore, hoje o chefe de fato da Alpine, confirmou que a Mercedes tem interesse em adquirir os 24% e tentou tranquilizar dizendo que isso não afetaria decisões internas.
A garantia soa ainda mais delicada porque Briatore carrega o histórico de já ter sido expulso da Fórmula 1 por toda a vida, o que naturalmente coloca credibilidade sob lupa.
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O ponto central é que a participação à venda não está com a Alpine, e sim com a Otro Capital, que controla esse bloco e pode negociar sem que a equipe consiga bloquear.
A compra da Otro em 2023 por US$ 233 milhões (R$ 1,2 bilhão) chamou atenção por transformar celebridades em donos minoritários de um time do grid.
Entre os investidores associados ao fundo estavam o ator Ryan Reynolds, Rob McElhenny, conhecido por “Always Sunny In Philadelphia”, e o ex-número 1 do golfe Rory McIlroy.
Agora a Otro busca uma saída lucrativa e, como não há trava para impedir a venda a uma entidade rival, o risco político esportivo entra na conta.
Questionado sobre a influência que a Mercedes poderia exercer, Briatore disse à Autosport que a lógica corporativa é simples: 75% decidem e 25% “é passageiro”.
Ele citou a Red Bull como exemplo por ter dois times há 10 ou 15 anos e emendou que a Mercedes está olhando justamente para a compra dos 24% da Otro.
Para uma montadora, ter dois times traz ganhos imediatos porque o grupo passa a ter dois votos no órgão de decisões do campeonato, a F1 Commission.
Além disso, custos de pesquisa e desenvolvimento podem ser diluídos, e embora seja ilegal correr com chassi “cliente”, conhecimento técnico e custos de motor podem ser compartilhados.
O benefício mais visível para o público é o de gestão de pilotos, como acontece com Red Bull Racing e Visa Cash App Racing Bulls, que oferecem quatro assentos no ecossistema.
Essa flexibilidade foi decisiva na guerra de bastidores de 2014 por Max Verstappen, então com 16 anos, porque a Red Bull pôde garantir um lugar de corrida na Toro Rosso.
A Mercedes, em geral, precisa comprar um assento em outra equipe para promover jovens, e Kimi Antonelli é apontado como provável candidato a correr pela Williams, como George Russell antes dele.
A ida de Lewis Hamilton para a Ferrari, porém, abriu espaço para Toto Wolff encaixar o jovem italiano diretamente na equipe de fábrica, mostrando como um “time júnior” interno simplificaria o pipeline.
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