
Em um cenário de margens pressionadas e vendas em desaceleração, a Mercedes decidiu mexer em um dos seus ativos mais valiosos para acalmar investidores.
A montadora de carros de luxo planeja vender uma parte da sua participação de cerca de 35% na Daimler Truck ainda neste ano, segundo o diretor financeiro Harald Wilhelm.
O pacote completo dessa fatia é avaliado em algo em torno de R$ 74 bilhões, e a ideia é converter uma parte desse valor em retorno imediato para os acionistas.
Wilhelm afirmou, em teleconferência com o mercado, que o dinheiro levantado com a operação será devolvido aos investidores, em linha com a estratégia de remunerar capital em tempos difíceis.
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Os detalhes sobre o tamanho do desinvestimento só serão conhecidos em maio, mas o simples anúncio já foi suficiente para derrubar as ações da Daimler Truck em Frankfurt.
Os papéis da fabricante de caminhões e ônibus chegaram a recuar cerca de 2,7%, refletindo o desconforto com a perspectiva de venda de um bloco relevante de ações.
Mesmo com o reforço de caixa vindo da venda, a Mercedes prepara o terreno para um ano que promete ser, na melhor das hipóteses, apenas de estabilidade nos resultados.
A companhia alertou que suas margens devem ficar no máximo no mesmo nível do ano anterior, citando tensões comerciais e uma concorrência cada vez mais agressiva na China.
Para tentar preservar rentabilidade, a fabricante vem cortando despesas e prometendo uma estrutura mais enxuta, numa espécie de “dieta forçada” para enfrentar o novo ciclo.
A Daimler Truck, maior produtora global de veículos comerciais, foi separada da antiga Daimler em 2021, quando a empresa decidiu se concentrar em vans e automóveis.
Na época, a Mercedes preferiu manter uma fatia relevante da nova companhia, preservando laços financeiros com o negócio de caminhões mesmo após o spin-off.
Agora, a venda parcial dessa posição representa um passo adicional para desfazer gradualmente essa ligação, reduzindo a exposição ao segmento de pesados.
O movimento também sinaliza uma mudança de foco mais clara para o núcleo de carros de passeio e utilitários leves, onde a pressão competitiva e tecnológica é crescente.
Investidores tendem a ver com bons olhos a devolução de recursos via dividendos ou recompras, mas podem questionar se a Mercedes não está abrindo mão de uma fonte sólida de ganhos futuros.
Por outro lado, numa indústria marcada por investimentos bilionários em eletrificação e software, liberar capital de um negócio já listado pode dar mais flexibilidade estratégica.
A mensagem implícita do comando financeiro é que, diante de um ambiente mais hostil, a prioridade será proteger margens, cortar gordura e recompensar quem continua apostando na marca.
Com a China se tornando uma arena cada vez mais difícil e guerras comerciais afetando custos e demanda, a venda de parte da Daimler Truck surge como uma resposta rápida a um problema estrutural.
Resta saber se o mercado verá o desinvestimento como um gesto pontual para atravessar um ano fraco ou como o início de um distanciamento definitivo entre carros de luxo e caminhões dentro do grupo.
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