“Mesmo com os riscos dos elétricos chineses”, dois terços dos canadenses os querem em suas garagens

doug ford canada
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Preocupações com espionagem, qualidade duvidosa e riscos à indústria nacional não foram suficientes para convencer os canadenses a rejeitar os carros chineses.

Uma nova pesquisa revela que, apesar dos alertas e desconfianças, a maioria da população apoia a entrada de mais veículos elétricos da China no mercado local.

O levantamento feito pelo instituto Leger mostra que 62% dos entrevistados aprovam a importação desses EVs, mesmo diante de críticas crescentes sobre segurança e geopolítica.

Entre os que apoiam, 24% demonstraram entusiasmo com a medida, enquanto 38% disseram apoiar com certa moderação.

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O acordo entre Canadá e China, que reduziu a tarifa de importação de alguns EVs de 100% para apenas 6,1%, foi o estopim para o debate.

O governo defende a decisão como uma forma de ampliar a concorrência e democratizar o acesso a veículos elétricos, ainda muito caros no país.

A adesão popular surpreende, principalmente diante de acusações como a feita pelo premier de Ontário, Doug Ford, que chegou a sugerir que os carros chineses poderiam ser usados para espionar os canadenses.

Mesmo assim, a população parece mais interessada em preços acessíveis e novas opções do que em riscos potenciais ainda não comprovados.

Marcas chinesas como BYD, Chery e Geely vêm ganhando espaço ao oferecer EVs bem equipados e muito mais baratos que os modelos ocidentais.

Em mercados como o australiano, esses carros já se tornaram comuns e ajudaram a forçar quedas de preços entre rivais tradicionais.

No Canadá, o impacto pode ser semelhante: mais concorrência, mais opções e menos custo para quem quer um EV na garagem.

O apoio foi ainda mais expressivo em Quebec, onde 72% dos entrevistados disseram ser favoráveis à medida, acima da média nacional.

A pesquisa, realizada entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro com 1.570 pessoas, também mostrou que homens e pessoas com mais de 55 anos estão mais informados sobre o acordo.

Mesmo com todo esse apoio, a entrada dos carros chineses seguirá limitada.

O acordo prevê um teto de 49 mil veículos importados por ano com tarifa reduzida, sendo metade deles com preço abaixo de R$ 124.500.

Esse número equivale ao volume já registrado em 2023, o que indica que, ao menos por ora, não haverá um boom nas ruas.

Ainda assim, o recado está dado: para os canadenses, os benefícios dos EVs chineses pesam mais do que os riscos.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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