
Cortar custos e automatizar sempre foram mantras da indústria, mas as montadoras agora enxergam um risco capaz de derrubar tudo de uma vez: ataques cibernéticos em fábricas e cadeias de suprimentos.
Uma nova pesquisa aponta que, nos próximos cinco anos, as ameaças digitais são vistas como mais relevantes do que a própria corrida contínua por eficiência e automação.
O Automotive Manufacturing Outlook mais recente, conduzido pela ABB Robotics em conjunto com a marca Automotive Manufacturing Solutions, coloca cibersegurança no topo das prioridades das grandes OEMs.
Segundo o levantamento, 95% dos participantes consideram cibersegurança um foco “significativo” para a produção automotiva na América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico.
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Dentro desse grupo, 53% classificaram o tema como “extremamente significativo”, enquanto apenas 2% disseram duvidar da viabilidade de encarar o problema como prioridade real.
Houve ainda 3% de respondentes que se disseram inseguros, mas foram contabilizados dentro dos 95% por terem reconhecido o tema como parte do foco de produção.
É o segundo ano consecutivo em que o survey da AMS coloca cibersegurança em primeiro lugar, reforçando que a preocupação deixou de ser “tendência” e virou rotina executiva.
A redução de custos, por sua vez, também foi considerada “significativa” por 95% dos respondentes, só que 52% a chamaram de “extremamente significativa”, um pouco abaixo da cibersegurança.
A proximidade entre dinheiro e segurança digital não surpreende, já que a manufatura vem se digitalizando, conectando ativos e ampliando automação em praticamente todos os grandes polos.
O problema é que ataques podem atingir não só as montadoras, mas também fornecedores Tier 1 e Tier 2, provocando atrasos, gargalos e até impacto na qualidade do produto final.
O texto lembra um caso emblemático: um ataque ao sistema de TI de Jaguar e Land Rover no ano passado teria causado paralisação total da produção da marca no Reino Unido por 40 dias.
A consequência desse tipo de interrupção vai além do calendário, porque gera atrasos de produção e perdas que podem chegar a muitos milhões de dólares.
Outro dado citado vem de um 2026 Global Automotive Smart Mobility Cybersecurity Report, publicado no mês passado, que indica que ameaças contra organizações automotivas e de smart mobility mais que dobraram em 2025.
Nesse recorte, 44% das ocorrências teriam sido ataques diretos, reforçando que a indústria não lida apenas com ruído, mas com ofensivas objetivas.
Ainda assim, a pesquisa da ABB observa que cibersegurança é “significativa” para os próximos cinco anos, mas não foi tratada como o maior desafio isolado do setor.
Entre as maiores preocupações gerais para o futuro, os respondentes destacaram custos de energia e materiais, falta de mão de obra qualificada e custos associados, além de tarifas.
Como o cenário evolui rápido demais, o estudo não oferece uma solução definitiva, sugerindo apenas que parcerias entre OEMs e fornecedores de tecnologia tendem a ficar mais fortes.
O levantamento também registra que entrevistou CEOs e executivos de montadoras e da cadeia de suprimentos, mas a ABB não informa quantos participantes responderam.
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